MULHERES INSPIRADORAS THINK OLGA: AUDIOVISUAL

O Think Olga é um projeto feminista de desenvolvimento e difusão de conteúdos criado em 2013 pela jornalista Juliana de Faria e tem como missão “empoderar mulheres por meio da informação e retratar as ações delas em locais onde a voz dominante não acredita existir nenhuma mulher”. Assim, a informação é usada como força empoderadora e a partir dela acredita-se que se dê as ferramentas necessárias para que as mulheres possam ter escolhas e seguir seus rumos – seja lá quais forem eles.

Desde sua criação, o Olga lança anualmente uma lista de “Mulheres Inspiradoras”, com o objetivo de “combater a falta de reconhecimento de trabalhos protagonizados e desenvolvidos por mulheres e, ainda hoje, cada novo projeto, cada nova conquista, cada novo grito de luta e resistência nas ruas são necessários e merecem méritos”. São mais de 200 mulheres, grupos e coletivos destacados nesta lista de 2016. “A lista contou com uma vasta pesquisa da jornalista da Think Olga, Karoline Gomes, indicações de parceiras da Olga, além da colaboração super especial da blogueira e ativista Jéssica Ipólito”.

Com o objetivo de dar ressonância à lista, em especial àquelas mulheres ligadas a projetos audiovisuais, divulgamos aqui 30 Mulheres Inspiradoras do Audiovisual.

Acesse a lista completa Think Olga: https://goo.gl/z3VfC9

ARTE & ENTRETENIMENTO

Brasil:

  • Beatriz Vieira – Estudante de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), teve sua proposta de roteiro selecionada entre as 20 pelo Edital Curtas Universitários 2016/2017. Assim, Beatriz começará a produzir um documentário retratando a vida de Lélia Gonzales: mulher negra, professora e antropóloga brasileira que é referência quando se fala de feminismo negro brasileiro. De acordo com a sinopse, trata-se de “um retrato guiado pela voz de ancestrais africanos que apontam no presente rastros da memória de um povo”. Mais informações: https://goo.gl/gxsrIj
Set de “Em busca de Lélia”, de Beatriz Vieira
  • Coletivo GaiaColetivo criado em maio por alunas e ex-alunas da Escola Técnica de Teatro Martins Penna, localizada no centro do Rio de Janeiro, durante uma ocupação estudantil, teve, como primeiro trabalho o curta Irmã, que fala sobre o estupro coletivo sofrido por uma jovem de 16 anos na mesma cidade. O trabalho é premiado como melhor trilha sonora no Festival de Cinema 72 horas, além da segunda colocação como melhor curta.

Internacional:

  • Cate Blanchett e Rooney Mara – As atrizes interpretaram um casal no filme Carol, que mostra as dificuldades, angústias e conquistas para manter um relacionamento afetivo entre mulheres, ainda mais nos anos 1950. Adaptado do livro The Price of Salt, de Patricia Highsmith, o longa-metragem traz a questão lésbica que ainda é pouco retratada no cinema.
    Link para trailer do filme: https://goo.gl/kMgYwE
  • Millie Bobby Brown – Como Eleven de Stranger Things, a atriz de 12 anos se destacou pela interpretação no seriado. Ela também divulgou um vídeo em apoio ao Malala Fund, fundação liderada por Malala Yousafzai e voltada à inserção das garotas do Oriente Médio na escola, para aumentar o direito à educação dessas jovens.
  • Queen Latifah e Uzo Aduba – Após o discurso engajado e emocionante da atriz Viola Davis como primeira atriz negra a ganhar o Emmy, em 2015, no início deste ano o Screen Actors Guild Awards (SAG) premiou outras atrizes negras. Queen Latifah levou como Melhor Performance Feminina ao interpretar a cantora de blues Bessie Smith no telefilme Bessie, da HBO. E Uzo Aduba ganhou como melhor atriz de série de comédia pela atuação em Orange Is the New Black, da Netflix. O seriado também ganhou, na mesma categoria, como melhor elenco, afirmando a diversidade como ponto forte da história que vem conquistando cada vez mais fãs.
  • Tatiana Maslany – No Emmy 2016, ela ganhou como melhor atriz de série dramática pela interpretação de 11 personagens diferentes em Orphan Black, seriado sobre uma conspiração de clones e que tem o patriarcado e representatividade feminina como pontos fortes dos episódios. Era uma das favoritas da audiência para ganhar a premiação, conquistada após três anos no elenco da produção.
  • Yara Shahidi – A atriz norte-americana de 16 anos tem forte envolvimento no ativismo contra racismo e a favor da educação. Neste ano, a atriz de Black-ish palestrou contra os estereótipos da indústria hollywoodiana e do entretenimento, levando sua fala para uma campanha da DoSomething.Org, cujo objetivo era arrecadar fundos para equipamentos de ciência em tecnologias para escolas em Minnesota e St.Louis, nos Estados Unidos. Também lançou recentemente o Yara’s Club, onde, uma vez por mês, jovens se reúnem com ela para falar sobre educação e problemas sociais, por meio de transmissão no site da instituição The Young Women’s Leadership Schools (TYWLS).

INTERNET & MÍDIAS SOCIAIS

Nacional:

  • Beatriz Oliveira, Carol Silvanno, Samantha Cristina e Stella Yeshua – Depois de sofrer racismo em um shopping na cidade de São Paulo, o grupo gravou um vídeo com um desabafo bem humorado que viralizou na internet. Usando o bordão Estaremos Lá, elas iniciaram um canal no Youtube para continuar a conversa sobre racismo e hoje têm mais de 3 mil seguidores.
  • Gabi Oliveira – Inspirada pela própria monografia “Papel das redes sociais na valorização da estética negra”, que desenvolveu para a conclusão do curso de Relações Públicas, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Gabriela Oliveira criou um canal no Youtube, o DePretas, para falar de militância a dicas de beleza com o objetivo de informar outras mulheres negras.
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Gabi Oliveira, do Canal DePretas
  • Helen Ramos – Com o canal Hel Mother, a jornalista e mãe divulga vídeos para esclarecer e mostrar os desafios da maternidade. Com abordagem bem-humorada, ela fala das dificuldades da gestação até a criação solo, além de questões vistas como obstáculos, como o sexo casual e as mudanças nas amizades nessa nova fase da vida. Lançado no Dia das Mães deste ano, o canal já conta com mais de 23 mil inscritos.
  • Jackeline Salomão, Nina Dutra e Mariana Zatz – Diretora, produtora e roteirista, respectivamente, do canal DR de humor, em que abordam diversos temas do universo feminino como menstruação, orgasmo, tpm. O canal já conta com mais de 180 mil inscritos.
  • Jéssica Tauane e Débora Baldin – As idealizadoras do popular Canal das Bee, que combate o preconceito em todas as formas e conta com o apoio da comunidade LGBT. Por meio da campanha de crowdfunding Bee Ajuda, elas arrecadaram fundos para garantir acolhimento psicológico aos jovens LGBTs que sofrem opressão por causa da orientação sexual, remunerando um profissional especialista neste trabalho. O projeto surgiu após o aumento dos pedidos de ajuda do público que sofre com esta exclusão e elas resolveram expandir o trabalho voluntário, que já acolheu mais de 2 mil pessoas com ajuda de uma psicóloga voluntária. Parte da renda angariada será direcionada para a realização de um curta-metragem sobre a vivência lésbica.
  • Joyce Gervaes – A estudante de Rádio e TV lançou o canal Joyce Gervaes Show no YouTube, em abril, no qual apresenta questões que ela e outras pessoas negras enfrentam no mercado de trabalho, principalmente no setor audiovisual e meios de comunicação. É um espaço no qual ela exercita a reflexão social e étnica. Link para o Facebook.
  • Luiza Junqueira – Criadora do canal Tá, Querida?, que acumulou mais de 23 mil seguidores em pouco mais de um ano, dirigiu o documentário GORDA, como seu trabalho de conclusão de curso na ECO – UFRJ. O filme reúne mulheres gordas para falar sobre como é viver em uma sociedade gordofóbica.
  • Mandy Candy – A primeira youtuber transexual do Brasil lançou este ano o livro Meu Nome é Amanda na 24ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo (SP). Na biografia, aborda o preconceito que sofreu, a sensação péssima de se olhar ao espelho e não se reconhecer até o momento da cirurgia para mudança de sexo. No YouTube, ela mostra diferentes perspectivas em torno das pessoas trans e do tema LGBT.

Internacional:

  • Jiang Yilei – A youtuber chinesa viralizou com vídeos cheios de sátiras publicados com o pseudônimo de Papi Jiang. Jian fala principalmente sobre solteirice depois dos 30, e sobre como lida com a pressão social em seu país para que mulheres se casem.
  • Stephanie Sarley – Artista plástica americana que publicou vídeo no Instagram em que “masturbava” frutas, como uma forma de falar da sexualidade feminina. Começou em janeiro, quando tinha 10 mil seguidores, e hoje tem mais de 170 mil fãs.

COMUNICAÇÃO & AUDIOVISUAL

Nacional:

  • Ana Aranha – Jornalista e documentarista, recentemente conquistou, pela Repórter Brasil, o Prêmio Gabriel García Márquez com o filme Jaci – Sete Pecados de uma Obra Amazônica, dividindo a direção e autoria com Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros, Caue Angeli, Marcelo Min e Leonardo Sakamoto. Atualmente é coordenadora de Jornalismo na Repórter Brasil, e desde 2011 ela trabalha com jornalismo independente, colaborando em veículos como Agência Pública, Rolling Stone, The Guardian e Marie Claire, além de ter outros 11 prêmios de Jornalismo, entre eles, dois GPs Ayrton Senna e uma menção honrosa no Vladimir Herzog. Link para o Facebook.
  • Anita Rocha da Silveira – Com o primeiro longa Mate-me Por Favor, a diretora carioca mostra as diferentes reações de um grupo de amigas sobre uma série de mortes de garotas na Barra da Tijuca (RJ), com a protagonista indo em busca de seus desejos sem limitar o corpo. Ainda retrata como a cultura do estupro influência na vivência, um dos temas presentes na obra ao lado dos pilares morte, desejo e impulso. O filme ganhou premiações como melhor Direção de Ficção no Festival do Rio e antes teve estreia mundial no Festival de Veneza (ITA), conquistando o prêmio independente Bisatto D’Oro de atuação pelas atrizes Valentina Herszage, Julia Roliz, Mariana Oliveira e Dora Freind.
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Cartaz do filme “Mate-me por favor”, de Anita Rocha da Silveira
  • Dea Ferraz – No documentário Câmera de Espelhos, a cineasta mostra como a cultura do estupro ainda impera entre os homens de diversas idades e culturas. O filme conta com os depoimentos deles, sobre como veem as mulheres, com o objetivo de mostrar um espelho social de uma sociedade ainda fortemente machista. A obra também conta com recortes de imagens de mulheres em diferentes situações e teve importante repercussão ao ser lançado no festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro.
  • Lili Fialho e Kátia Lund – As diretoras dividem a direção de cinco documentários que ficaram em cartaz no Festival Reimagine Rio, na capital carioca, entre agosto e setembro. Como ação encomendada pela ONG Rise Up & Care, cada um se volta às histórias de pessoas que mudaram a própria perspectiva de vida a partir de cinco projetos sociais oferecidos na cidade, focados na arte e no esporte.
  • Sabrina Fidalgo – Escreveu e dirigiu o média-metragem Rainha, que conta a história da personagem Rita e sua trajetória para tornar-se rainha de bateria da escola de samba de sua comunidade. O filme foi vencedor, por júri popular, do prêmio Panorama Carioca (Competição Nacional do Curta Cinema – Festival Nacional de Curtas do Rio de Janeiro).
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Cena de “Rainha”, de Sabrina Fidalgo
  • Séries por elas – O site surgiu para atender a falta de conteúdos a respeito de seriados sobre e produzidos por mulheres, e com um diferencial: sob a ótica delas. Foi fundado pela jornalista Carolina Maria que atua como editora juntamente com a jornalista Fernanda P. Garcia. Em seu expediente contam com mais de 30 colaboradoras entre jornalistas, advogadas, publicitárias, roteiristas, historiadoras e produtoras audiovisuais.
  • Tamo JuntaAção da Women in Film and Television (WIFT Brasil) com o objetivo de promover encontros de mulheres que atuam em diversas áreas do audiovisual – cinema, TV e novas mídias – e, ainda mais, colaborar com suporte e profissionalização feminina neste setor. Este é o lema central da instituição, que no Brasil conta com Ana Cláudia Martin, Camila Pinho, Marília Nogueira, Maristela Bizarro, Nágila Guimarães e Tatiana Groff.
  • Yasmin Tayná – A roteirista fundou em janeiro a Afroflix, da qual é Diretora Geral. A Afroflix é uma plataforma colaborativa que reúne produções feitas por negros ou com pelo menos uma pessoa negra envolvida na concepção técnica ou atuação artística. Sob avaliação de uma curadoria, o intuito é mostrar a representatividade e contribuição dos negros na indústria audiovisual, com títulos de ficção, experimentais, séries, videoclipes, documentários e vlogs. Yasmin tem outros trabalhos de destaque que englobam a questão étnica racial, como a direção e roteiro do filme KBELA, sobre ser mulher e processo para se enxergar negra, se apresentou no TEDx Talks nesse ano e escreve no Brasil Post.

Internacional:

  • Rebecca Miller – Diretora do filme Maggie’s Plan, que narra histórias de mulheres que não querem se casar, com olhar guiado pela atriz Greta Gerwig. Exibido na Mostra de Cinema de São Paulo (SP), em outubro, o longa mostra como mulher e homem se relacionam atualmente, já que padrões de casal, de procriação e de família já não são impostos em vários lugares.
  • Ava DuVernay – Consagrada por dirigir Selma, filme que conta a história do ativista Martin Luther King, em 2016 lançou, em parceria com a Netflix, o documentário 13ª Emenda, que correlaciona a criminalização da população negra dos Estados Unidos com a superlotação no sistema carcerário do país.
  • We Do It Together – Diante da baixa representatividade feminina no cinema e em premiações do segmento, como só 22% delas indicadas às diferentes categorias do Oscar deste ano, de acordo com o estudo do Women’s Media Center, as mulheres da indústria cinematográfica agora contam com a We Do It Together. Fundada por profissionais como as atrizes Queen Latifah, Jessica Chastain, Freida Pinto e Juliette Binoche, a diretora Catherine Hardwicke e a roteirista brasileira Kátia Lund, que foi codiretora de trabalhos como Cidade de Deus e Notícias de Uma Guerra Particular, a ONG busca a igualdade de gênero como regra e produzir obras audiovisuais que promovam as mulheres que trabalham no cinema, TV e outras mídias.

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