OS LANÇAMENTOS DE 2017 E O CINEMA DE MULHERES

O portal Adoro Cinema divulgou no começo do mês de janeiro um calendário com as datas previstas para lançamento dos filmes nacionais em 2017. Segundo o site, até dezembro serão lançadas 48 obras brasileiras, entre animações, documentários e ficções. Teremos filmes de terror, drama, comédia e romance. Alguns filmes “mainstream”, outros de baixo orçamento e independentes, alguns com diretores famosos e outros desconhecidos.

Apesar da variedade, um ponto ainda é dominante: o gênero na direção, infelizmente. De 48 filmes, apenas oito apresentam mulheres na direção. Desses oito, três são co-direções entre homens e mulheres. Ou seja, apenas cinco têm direção exclusiva de mulheres, o que significa 10,4% do total.

Deseja assistir a mais filmes nacionais este ano? Conhecer mais filmes dirigidos por mulheres? Confira o cronograma completo do Adoro Cinema!

Abaixo confira o levantamento feito pelo Arte Aberta dos filmes que chegarão aos cinemas nos próximos meses e que apresentam mulheres na direção:

Título Direção Data prevista de lançamento Sinopse
Ninguém entra, ninguém sai Hsu Chien, Helena Sroulevich e Daniel Furiati Sroulevich 16/02 Suellen é uma moça romântica, estudiosa e que tem um sonho: se casar com o namorado Edu para construir sua nova família. Quando ela é selecionada para um projeto bizarro, acredita que possa ser a chance para que o casamento aconteça mais rápido. Entretanto, ela descobre que vai ficar trancafiada em um motel furreco com alguns outros casais – o que vai fazer com que ela repense os seus planos para o futuro.
Era o Hotel Cambridge Eliane Caffé 16/03 Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Além da tensão diária que a ameaça de despejo causa, os novos moradores do prédio terão que lidar com seus dramas pessoais e aprender a conviver com pessoas que, apesar de diferentes, enfrentam juntos a vida nas ruas.
Todas as manhãs do mundo Tatiana Lohman e Lawrence Wahba 23/03 Um retrato afetivo e aprofundado sobre as manhãs: o nascer do sol, os acontecimentos das primeiras horas do dia com animais exóticos e batalhas por sobrevivência, e também a esperança e a beleza que se renovam a cada amanhecer na natureza, seja no deserto da Baja Califórnia, no Pantanal, nos mares tropicais, nas savanas africanas e nas florestas do Canadá.
Um casamento Mônica Simões 18/05 Uma senhora relembra o seu casamento, realizado na década de 1950, em Salvador, Bahia. A exposição do vídeo do matrimônio, os relatos, assim como as lembranças da diretora, que é filha da noiva, conduzem a reflexão sobre o tempo e a importância das lembranças.
Meus quinze anos Caroline Fioratti 29/06 Aos quatorze anos de idade, Bia descobre que vai ganhar uma grande festa de quinze anos. Mas tem um problema: a garota sonhadora e apaixonada por música não tem muitos amigos para convidar ao evento. Ela conta com a ajuda do único grande amigo, Bruno, e do pai Edu, para consertar a situação.
Duas de mim Cininha de Paula 29/06 Suellen é uma cozinheira que trabalha duro para manter sozinha o filho pequeno, a irmã mais nova e a mãe. Um dia, os seus sonhos viram realidade: ela encontra uma cópia sua, idêntica fisicamente, mas com diferenças de personalidade. A ideia inicial é dividir as tarefas com a comparsa, mas logo Suellen percebe que a sósia tem planos próprios e pretende passar a perna na original.
Peixonauta – O filme Célia Catunda e Kiko Mistrorigo 20/07 Uma aventura de Peixonauta e seus amigos, pela primeira vez na cidade grande e longe da segurança do Parque das Árvores Felizes. Peixonauta, Marina e Zico saem do parque em busca do Dr. Jardim e dos primos Pedro e Juca, mas ao chegarem à cidade grande encontram tudo vazio. Após investigarem melhor, percebem que as pessoas não sumiram, mas sim encolheram. Estão minúsculas e por isso a cidade parece deserta. Agora Peixonauta e seus amigos terão que descobrir a causa do encolhimento de todos e salvar a cidade.
Depois a louca sou eu Júlia Rezende 28/12 Baseado no livro de mesmo nome, o filme narra a vida de uma mulher marcada pelas manias, ataques de pânico e outras consequências de sua angústia e ansiedade.

Alguns filmes que se destacaram em festivais e mostras do ano passado ainda aguardam definição de data de lançamento nos cinemas comerciais. Nove dos vinte e um filmes listados pelo Adoro Cinema que se encontram nessa situação foram dirigidos por mulheres, ou seja, 42,85% do total. Confira quais são eles e acompanhe suas páginas oficiais para saber quando poderá assisti-los.

Título Direção Sinopse
Divinas Divas Leandra Leal Divinas Divas aborda a primeira geração de artistas travestis do Brasil. Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujica de Holliday, Eloína, Marquesa e Brigitte de Búzios formaram, na década de 1970, o grupo que testemunhou o auge de uma Cinelândia repleta de cinemas e teatros. O filme acompanha o reencontro das artistas para a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época.
A cidade onde envelheço Marília Rocha Teresa é uma jovem portuguesa que decide deixar o país para morar no Brasil. Ela vai direto para a casa de Francisca, uma amiga também portuguesa que, há quase um ano, mora em Belo Horizonte. Por mais que tenha aceitado abrigá-la, Francisca está temerosa sobre como será o convívio entre elas, já que aprecia a solidão e a independência. Entretanto, logo o jeito descontraído e espevitado de Teresa a contagia, nascendo uma forte ligação entre elas.
Martírio Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita (Tatiana Soares de Almeida) Uma análise da violência sofrida pelo grupo Guarani Kaiowá, uma das maiores populações indígenas do Brasil nos dias de hoje e que habita as terras do centro-oeste brasileiro, entrando constantemente em conflito com as forças de repressão e opressão organizadas pelos latifundiários, pecuaristas e fazendeiros locais, que desejam exterminar os índios e tomar as terras para si.
Waiting for B Abigail Spindel e Paulo Cesar Toledo O que você faria para ver de perto o seu ídolo? Em 2013, dezenas de pessoas se reuniram em São Paulo para ver Beyoncé. Os fãs chegaram a acampar em frente ao estádio Morumbi durante dois meses, fizeram rodízios para guardar lugares e enfrentaram sol e chuva para ver a cantora.
A destruição de Bernardet Claudia Priscilla e Pedro Marques Referência na reflexão sobre o cinema brasileiro, Jean-Claude Bernardet resolveu, aos 70 anos, se dedicar como ator em longas e curtas experimentais e ousados, dirigidos por jovens realizadores. Neste documentário, o próprio Bernardet reflete sobre as críticas recebidas por suas incursões como ator e revela suas perspectivas de vida, ao mesmo tempo em que precisa lidar com o fato de ser portador do vírus HIV.
Mulher do pai Cristiane Oliveira A adolescente Nalu precisa cuidar do pai cego, após a morte da avó que os criou como irmãos. Quando Ruben percebe o amadurecimento da filha, surge uma desconcertante intimidade entre eles. Mas, com a chegada de Rosário, o ciúme ganhará espaço na vida de ambos. 
Pendular Julia Murat Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. A partir de sequentes contradições, eles vão aos poucos perdendo sua capacidade de distinguir o que faz parte dos projetos artísticos e o que é relação amorosa.
Vazante Daniela Thomas Início do século dezenove. Em uma fazenda imponente e decadente, situada na região dos diamantes em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém-chegados da África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais e de gênero em um país que passa por um forte período de mudança.
Pela janela Caroline Leone Rosália é uma operária de 65 anos que dedicou sua vida ao trabalho em uma fábrica de reatores na periferia de São Paulo. Um dia ela é demitida, e, deprimida, precisa ser consolada pelo irmão José. Ele resolve levá-la em uma viagem de carro até Buenos Aires, quando Rosália vê pela primeira vez um mundo desconhecido e distante de sua vida cotidiana, começando uma jornada que sutilmente transformará uma parte essencial dela mesma.

Imagem no topo da matéria: Cena do filme “Era o hotel Cambridge”, de Eliane Caffé.

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