Imagem de duas mulheres e uma garota com máscaras de carnaval.

CINEMA DE MENINAS: AS HEROÍNAS DE SUAS PRÓPRIAS HISTÓRIAS

Atualmente tem-se discutido com maior frequência a importância da representatividade no audiovisual. A criação de personagens femininas fortes e diversas tem sido analisada e exigida pelo público, o que tem provocado mudanças positivas, ainda que lentas, no setor.

Em relação ao audiovisual voltado para o público infantil, é fácil perceber que ainda é forte a influência das princesas e seu universo de fragilidade e necessidade de salvação, com a representação da “donzela em apuros”. Percebe-se, no entanto, uma tendência – positiva – de alteração desse quadro.

Ao analisar filmes de animação norte-americanos recentes, podemos perceber o cuidado em criar personagens femininas fortes e cativantes, que desempenham papéis ativos na trama e que se libertam, cada vez mais, da necessidade de um vínculo amoroso, ao mesmo tempo em que vivem aventuras e enfrentam perigos. É o caso de Valente (2012), Frozen (2013), Malévola (2014), Divertidamente (2015), Cada um na sua casa (2015), Zootopia (2016), Moana (2017), que tiveram grande repercussão no Brasil e ajudaram a questionar e alterar as antigas fórmulas, trazendo mais complexidade às histórias das protagonistas mulheres, como o trato com as relações familiares, a sororidade e a dedicação à vida profissional.

Em pesquisa realizada por universidades americanas de Nova York, Illinois e Princeton, e publicada na revista Science, aos 6 anos as meninas começam a apresentar consequências dos estereótipos de gênero e passam, nesta fase, a achar que, por exemplo, os meninos são mais inteligentes ou geniais do que elas. Esta percepção das meninas acaba por influenciar nas suas escolhas do que ser ou fazer.

Por isso – e por toda uma cultura machista, é tão importante que as crianças se acostumem a ver personagens femininas poderosas, capazes de superar as adversidades sozinhas e que não estejam presas a estereótipos de gênero. Que aceitem desde cedo a possibilidade de mulheres serem aventureiras, cientistas, esportistas, policiais, bombeiras, detetives, heroínas de suas próprias histórias. É necessário também que os meninos vejam isso e compreendam que o protagonismo não está restrito a eles. Que cresçam sabendo compartilhar papéis e permitam-se apreciar e apoiar as histórias, aventuras e conquistas das meninas.

E no Brasil, como estão as protagonistas meninas? Listamos alguns filmes e séries nacionais que apresentam meninas como protagonistas e que podem incentivar uma mudança de olhar do público infantil brasileiro.

Imagem de garota segurando as mãos de um homem barbado usando vestido vermelho com detalhes brancos. Atrás, um senhor de fraque e chapéu preto caminha segurando brinquedos.
Cena de “Corda Bamba”, de Eduardo Goldenstein

A festa da Joana, de Vera Vasques e Kelly Cristina Spinelli, mostra as dificuldades enfrentadas por Joana para ter a sua festa de aniversário do jeito que deseja. Sendo fã do Batman, quer que ele seja o tema da festa, mas tem que enfrentar sua mãe, as colegas da escola e os preconceitos de todos que não acham que isso seja coisa de menina.

No seu lugar, de Mariana Polo, traz Laura como protagonista, uma menina de nove anos que busca compreender a recente perda de visão de seu avô. Enquanto a família passa por uma fase de adaptação, ela experimenta novas situações que a aproximarão dele.

Corda Bamba – História de uma Menina Equilibrista, de Eduardo Goldenstein, nos apresenta Maria, uma menina de 10 anos que nasceu e cresceu em um circo, onde seus pais eram equilibristas. Um dia, ela é obrigada a morar na cidade com sua avó e passa a ter dificuldades em se lembrar do passado. Da janela de seu quarto, uma corda é a única conexão entre o mundo real e o seu mundo imaginário. Uma maneira que ela encontra de manter suas lembranças e assim poder seguir em frente.

Cores e botas, de Juliana Vicente, é sobre o sonho de Joana. A menina deseja ser Paquita do programa da Xuxa e, para isso, resolve participar de uma seleção que acontece em seu colégio. Ela precisa, no entanto, enfrentar o racismo de todos e combater a ideia de que não pode existir uma Paquita negra.

Coisa-Malu, de Paula Cintra Ferreira e Tobias Rezende, narra a história de Malu, uma criança de 8 anos que passa os dias fantasiando, mas esconde isso por medo de ser julgada esquisita. Certo dia, conduzida pelo som de um pífano, Malu atravessa um portal que a transporta para um mundo mágico, repleto de criaturas fantásticas. Enquanto procura a origem da música, terá que enfrentar vários desafios.

Pety pode tudo, de Anahí Borges, conta a história de uma garota que quer ter o controle de tudo ao seu redor. Um dia acredita receber um aviso do anjo Gabriel prenunciando a morte do seu coelho de estimação. O medo da perda e o desejo de controle a impulsionam na olímpica tentativa de driblar o destino profetizado.

A peste da Janice, de Rafael Figueiredo, mostra a difícil adaptação de Janice em uma escola nova. Presenciando o bullying praticado pelas colegas, Virgínia precisa decidir como se posicionar diante da situação.

O que queremos para o mundo, da Cocriativa, é sobre Luzia, uma menina tímida, dona de um mundo interno cheio de fantasia e imaginação. Quando o seu professor de música pede para a turma criar uma apresentação em grupo, Luz se vê desafiada a transmitir toda a sua criatividade e tirar suas ideias do papel. Com a ajuda das amigas Bela, Lua e Sol, o trabalho escolar se transforma em uma experiência única.

O Show da Luna, é uma série de TV criada por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo e que mostra as curiosidades e investigações de uma menina cientista de 6 anos. Com a ajuda de seu irmão Júpiter e do furão Cláudio, Luna desenvolve experimentos e tenta compreender porque as coisas acontecem.


Imagem no topo da matéria: Cena do filme “Coisa-Malu”, de Paula Cintra Ferreira e Tobias Rezende.

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