#52FILMSBYWOMEN: ACOMPANHE OS FILMES ASSISTIDOS PELO COLETIVO ARTE ABERTA

Em outubro de 2015, a associação Women in Film (WIF)/Los Angeles lançou a campanha #52FilmsByWomen, que partia da seguinte premissa: “você assistiria a um filme por semana dirigido por mulheres por um ano?”. Entraram oficialmente neste compromisso, até agora, mais de 11 mil pessoas, além de tantas outras pessoas e entidades que usam a hashtag para promover o cinema de diretoras mulheres.

O coletivo Arte Aberta adere à campanha, afinal, tem tudo a ver com a nossa missão de promover, dar visibilidade e questionar o papel da mulher no audiovisual – a sua representação nas telas e as diversas funções que exerce na realização das obras. O compromisso é, então, assistir e postar, semanalmente, um filme de longa-metragem, dirigido por mulher, podendo ser codireção com homens, nacional ou internacional, podendo ser lançamento ou mais antigo. Divulgaremos sempre às quartas-feiras, e manteremos no nosso portal (www.arteaberta.com) a lista com todos os filmes que entrarem na campanha.

Resolvemos aplicar, a cada filme,  “teste de Bechdel” e o “Selo F” – já falamos sobre os dois aqui! O filme é “aprovado” no teste de Bechdel se responder positivamente a três perguntas: (1) existem duas mulheres – com nomes – no filme? (2) elas conversam entre si, (3) sobre qualquer coisa que não seja homens?. O filme recebe o Selo F se tiver diretoras mulheres, roteiristas mulheres ou apresentem personagens mulheres importantes e complexas. Se a obra possuir as três categorias, recebe o “triple F”.

Cartaz do filme "Como nossos pais"

21/52 – Como nossos pais, de Laís Bodanzky

Rosa é mãe, filha e esposa. Ao ser pressionada para exercer todos esses papeis com perfeição, se vê distante de seus próprios planos, projetos e sonhos. Em um almoço de família, sua mãe faz uma revelação que faz com que ela sinta a necessidade de investigar e compreender sua identidade e sua origem. Nesse processo, ela analisa sua vida, as diversas formas através das quais o machismo tem interferido em sua trajetória e suas relações conflituosas (com uma mãe fria, um pai confuso, um marido distante e as filhas desafiadoras). Em busca de si mesma, Rosa questiona a sociedade patriarcal e os modelos tradicionais de família e de amor.

O filme foi o grande vencedor do 45º Festival de Cinema de Gramado, tendo recebido os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Montagem.

Laís Bodanzky dirigiu também o aclamado “Bicho de sete cabeças”, “As melhores coisas do mundo”, “Chega de Saudade” e “Mulheres Olímpicas”.

 

Bechdel Test: Sim

Presença de diretora mulher: Sim (Laís Bodanzky)

Presença de roteirista mulher: Sim (Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi)  √

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim


Poster do filme

20/52 – Meninas, de Sandra Werneck

Evelin, 13 anos, está grávida de um jovem de 22 anos que deixou o tráfico de drogas recentemente. Luana, 15 anos, declara que planejou sua gravidez, pois desejava ter um filho só para ela. Edilene, 14 anos, espera um filho de Alex, que também engravidou sua vizinha Joice. Ao longo de um ano, o documentário de Sandra Werneck acompanha o cotidiano destas quatro jovens e dos três novos pais. O filme discute a situação social dessas meninas, a influência do tráfico de drogas nas comunidades, as famílias partidas, abandono da escola pelas crianças etc. Do individual ao coletivo.

Sandra Werneck é uma experiente cineasta brasileira, tendo dirigido os longas: Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis, Cazuza – o Tempo não Para e Sonhos Roubados. A diretora está em fase de produção do documentário Mexeu com uma, mexeu com todas.

Bechdel Test: Sim √
Presença de diretora mulher: Sim (Sandra Werneck) √
Presença de roteirista mulher: Não X
Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim √


Desenrola

19/52 – Desenrola, de Rosane Svartman

O filme adolescente é centrado na personagem Priscila (Olívia Torres). A garota tem uma ideia para o projeto da disciplina de matemática/estatística da escola – quantas meninas são virgens no primeiro ano? Com essa premissa – e com a própria virgindade que ela quer perder – o filme se “desenrola”. O filme trata de forma leve do sexo na adolescência, uso de caminha, gravidez, temática aborto/direito de escolha, amor x sexo, sexualidade etc.

Rosane Svartman dirigiu também os longas Como ser solteiro, Mais uma vez amor e Tainá 3 – A origem, além de curtas e programas de TV.

Bechdel Test: Sim √

Presença de diretora mulher: Sim (Rosane Svartman) √

Presença de roteirista mulher: Sim (Rosane Svartman e Juliana Lins)  √

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim √


The zookeeper's wife

18/52 – O zoológico de Varsóvia (The Zookeeper’s Wife), de Niki Caro

O filme conta a história real de um casal, proprietário de um zoológico na Polônia, que se mobilizou para ajudar centenas de judeus a se esconderem e fugirem dos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. O longa foi baseado no livro de Diane Ackerman.

Jan (Johan Hendelberg) e Antonina Zabinski (Jéssica Chastain) comandavam um fabuloso zoológico em Varsóvia, que foi devastado durante os ataques de 1939. O casal, então, usou o espaço para cuidar de diversas famílias perseguidas, que permaneciam escondidas durante o dia, enquanto o espaço era usado por militares alemães.

A neozelandesa Niki Caro dirigiu o premiado longa-metragem Encantadora de baleias e está trabalhando atualmente na direção do live-action de Mulan, tornando-se a segunda mulher dos estúdios Disney a dirigir um filme com orçamento superior a 100 milhões de dólares (a primeira foi Ava DuVernay com Uma Dobra no Tempo).

Bechdel Test: Sim √

Presença de diretora mulher: Sim (Niki Caro) √

Presença de roteirista mulher: Sim (Angela Workman)  √

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim √


Cartaz do filme Califórnia

17/52 – Califórnia, de Marina Person

O número #17 dos 52 filmes de diretoras mulheres é Califórnia, de Marina Person.  Marina, em seu primeiro longa-metragem de ficção, fala sobre o que conhece: cultura pop, adolescência nos anos 1980 e música, muita música! Tudo junto! E o resultado é muito bom. O filme expõe os aspectos culturais, políticos e a sexualidade, com o início da AIDS, na década de 80.

No filme, Estela (Clara Gallo) é uma adolescente que vive os conflitos típicos da idade, de identidade, amizade e amor. Ela tem um ídolo, o tio Carlos (Caio Blat), jornalista musical que vive nos Estados Unidos. E o maior sonho da menina é visitá-lo na Califórnia, durante as férias. Os planos dela vão por água abaixo, no entanto, quando ela descobre que é ele quem está voltando para o Brasil.

Bechdel Test: Sim

Presença de diretora mulher: Sim (Marina Person)

Presença de roteirista mulher: Sim (Marina Person e Mariana Veríssimo, além de Francisco Guarnieri)  

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim

Cartaz do filme

16/52 – Jongens (Boys), de Mischa Kamp

Após a morte da mãe, Sieger vive com o pai e o irmão mais velho, presenciando conflitos diários entre eles e atuando como intermediador para uma convivência tranquila.

Quando o adolescente entra na equipe de corrida de revezamento de sua cidade, conhece Marc. Em meio aos treinos e viagens de campeonatos, os dois se aproximam, inicialmente como amigos, e aos poucos se apaixonam. Sieger tem então que lidar com os próprios medos e preconceitos para se conhecer e descobrir quem é e o que deseja.

Mischa Kamp é holandesa e diretora de diversos curtas-metragens, documentários e séries de TV.  Em 2005 dirigiu Het paard van Sinterklaas, um filme infantil sobre uma garotinha chinesa em seu processo de adaptação após se mudar para a Holanda. O filme foi um sucesso tão grande que teve uma sequência em 2007, Waar is het paard van Sinterklaas? Em 2014, Mischa lançou Jongens (Boys) e o filme conquistou 9 prêmios e outras 7 indicações, inclusive no International Emmy Awards.

Bechdel Test: Não X

Presença de diretora mulher: Mischa Kamp

Presença de roteirista mulher: Chris Westendorp e Jaap-Peter Enderle

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Não X


Cartaz do filme

15/52 – Take this waltz, de Sarah Polley

Já acompanhava – e admirava – o trabalho de Sarah Polley, como atriz e cineasta. Com o podcast @Feito Por elas sobre a diretora, embarquei novamente em seus filmes. Nesta 15a semana da nossa campanha #52FilmsByWomen, que traz filmes com diretoras mulheres, apresentamos, então, Take this waltz (2011) (com a tradução, ao meu ver, reducionista Entre o amor e a paixão).

No longa, Margot (Michelle Williams) é uma jovem casada há cinco anos. Ela escreve, mas não o que queria. Ela ama o marido e a família dele, mas sente-se desconfortável ao “ter que” seduzi-lo, ela não gosta de “in betweens” e tem medo de sentir medo e ela ainda não entendeu que tudo que é novo, envelhece. O filme é sobre sua jornada, sobre enfrentar essas questões, que acabam sendo instigadas por dois homens, por duas relações – com o marido e com o vizinho. O filme tem cores quentes, é solar, apesar de apresentar uma melancolia persistente da personagem principal. Há uma dualidade entre os vermelhos e azuis nas roupas de Margot. Mas há sempre um colorido intenso, nas cenas internas e externas.

Este é o segundo longa-metragem de Sarah Polley, o primeiro, também de ficção, é Longe dela (2006) e o terceiro é o documentário Histórias que contamos (2012). Como atriz, vale o destaque para os dois filmes dirigidos pela espanhola Isabel Coixet: Minha vida sem mim (2003) e A vida secreta das palavras (2005).

Bechdel Test: Sim

Presença de diretora mulher: Sarah Polley

Presença de roteirista mulher: Sarah Polley

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim


Cartaz do filme

14/52 – Tal mãe, tal filha (Telle Mère, Telle Fille), de Noémie Saglio

Mado e Avril são mãe e filha e são muito diferentes. Enquanto Avril é organizada, responsável e estável, Mado não tem emprego, é despreocupada, vive na casa da filha e do genro e depende deles para tudo. A relação se complica quando as duas engravidam ao mesmo tempo e precisam reavaliar suas próprias personalidades, medos e escolhas. Para aceitar a maternidade que se aproxima, elas analisam a sua própria relação e descobrem que podem aprender com o estilo de vida uma da outra.

Bechdel Test: Sim

Presença de diretora mulher: Noémie Saglio

Presença de roteirista mulher: Agathe Pastorino

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim


Cartaz do filme

13/52 – Peixonauta, de Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Rodrigo Eba

Após protagonizar uma série de televisão, Peixonauta chega às telonas. A animação conta a história de um peixe investigador, que trabalha na O.S.T.R.A (Organização Secreta para Total Recuperação Ambiental). No longa-metragem, ele e seus amigos, Marina e Zico, precisam descobrir o que aconteceu com as pessoas da cidade, que encolheram até ficar do tamanho de formigas. Para desvendar esse mistério, eles contam com com as dicas da POP e com a ajuda da detetive Rosa e da equipe da O.S.T.R.A. O filme trabalha diversas questões ambientais, como a importância da limpeza dos reservatórios fluviais e o excesso de lixo espacial.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Rodrigo Eba

Presença de roteirista mulher: Marcela Catunda e Marcus Aurelius Pimenta

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Sim


Cartaz de

12/52 – Jonas e o circo sem lona, de Paula Gomes

O documentário acompanha o dia a dia de Jonas, um garoto de cerca de 13 anos, que tem um circo no quintal de sua casa. A mãe quer que ele abandone a “brincadeira” e foque nos estudos. Mas Jonas é apaixonado pelo universo do circo e, com a ajuda dos amigos, leva a atividade muito a sério. Ele é o apresentador, o palhaço, o malabarista e o contorcionista. Além de artista, é responsável pelo caixa, cria a roleta da entrada, a arte de divulgação do circo e é responsável pelas músicas. Jonas treina os outros participantes, é rigoroso com os ensaios e os horários, é um líder nato, que incentiva, motiva e serve como modelo para os demais. Na escola, porém, é visto como preguiçoso, irresponsável e desleixado.

O filme foca no paralelo entre esses dois universos para avaliar os diferentes tipos de inteligência e as limitações de uma instituição escolar desgastada.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Paula Gomes

Presença de roteirista mulher: Paula Gomes e Haroldo Borges

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim 


Imagem super brega do filme abaixo

11/52 – Meus 15 anos, de Caroline Okoshi Fioratti

Baseado no livro homônimo de Luiza Trigo, Meus 15 anos é um longa juvenil protagonizado pela estrela teen Larissa Manoela. A obra é uma repetição da história que já vimos tantas vezes: uma garota deslocada no ambiente escolar, que não tem amigos e se sente invisível, e passa por uma transformação, devendo escolher quem realmente vai ser dali para frente. A adolescente Bia começa o filme acompanhada por um único amigo, excluído na escola como ela, e conta com a presença forte e carinhosa do pai, que a cria sozinho. Ao ganhar um concurso do shopping do bairro e receber como prêmio uma festa luxuosa em comemoração dos seus 15 anos, com direito a show da Anitta e vestido de uma estilosa famosa, a jovem Bia passa de desconhecida a uma das garotas mais populares do colégio. Todos querem um convite para a festa e se aproximam dela com segundas intenções. Bia tem, então, que decidir se será fiel a sua personalidade ou se se moldará para agradar aos outros e se adequar ao grupo dos “populares”. Apesar dos clichês, o filme passa ao público infanto-juvenil as seguintes mensagens: você não precisa mudar para agradar ninguém e seu final feliz não depende de se envolver romanticamente com alguém.

Caroline Okoshi Fioratti é diretora e roteirista de curtas, séries e longas. Confira mais informações sobre a diretora na página: https://www.haikaifilmes.com.br/untitled

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Caroline Okoshi Fioratti

Presença de roteirista mulher: Luiza Trigo, Clara Deák, Mirna Nogueira, Caroline Fioratti e Marcelo Andrade

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: Não X


Poster do filme

10/52 – Mulher Maravilha, de Patty Jenkins

Já falamos sobre o filme aqui e é a nossa indicação para o filme dirigidos por mulheres desta semana. Mulher Maravilha (Wonder Woman), dirigido por Patty Jenkins, já bateu alguns recordes! O filme foi a melhor abertura de longa dirigido por uma mulher nos Estados Unidos (ultrapassando Cinquenta tons de cinza) e, com arrecadação de mais de U$ 656 milhões de dólares, torna-se o maior sucesso live-action com uma mulher na direção. No portal de dados de cinema IMDB, o filme está com a avaliação de 8.1 e no Rotten Tomatoes 92% – notas altas. Neste último, o filme recebe o certificado de “fresh” quando alcançam o “tomatometer” de 75% ou mais, a partir de, pelo menos, 80 críticas, para filmes com amplo lançamento.

Antes de Mulher Maravilha, Patty Jenkins dirigiu o longa Monster: desejo assassino (2003) e episódios das séries The killing, Arrested Development, Entourage, entre outros. A cineasta também dirigiu um dos episódios do filme Cinco pela cura, sobre câncer de mama.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Patty Jenkins

Presença de roteirista mulher: não X

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Cartaz do filme

9/52 – Quase 18, de Kelly Fremon

Quase 18 (The Edge of Seventeen) conta a história de Nadine (Hailee Steinfeld), que se sente abandonada pela única amiga quando esta começa a namorar o seu irmão, de quem não é muito próxima. É distante também a sua relação com a mãe e a menina sente uma falta constante do pai. Soma-se a todo esse contexto, a paixão platônica com o “alternativo” da escola, a amizade com um “cara legal” e a relação com o professor esquisito. Deste cenário, além do enfoque na relação com o professor, seria interessante ter visto também o desenvolvimento da relação com o irmão – algo que é resolvido de forma rápida no final do filme – e com a mãe.

A cineasta Kelly Fremon Craig é roteirista do longa-metragem Recém-formada (2009), da diretora Vicky Jenson. Quase 18 é seu primeiro longa na direção.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Kelly Fremon

Presença de roteirista mulher: Kelly Fremon

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Cartaz do filme

8/52 – Entre Risos e Lágrimas, de Gillian Robespierre

A comédia independente Entre Risos e Lágrimas (Obvious Child), da diretora Gillian Robespierre, disponível na Netflix, conta a história de Donna Stern (Jenny Slate) que engravida após fazer sexo sem proteção com um cara que conheceu no bar onde apresenta sua Stand Up Comedy. O filme aborda de forma leve e inteligente amor, sexo, amizade, aborto e a tal da vida de adulto. Já fizemos uma crítica sobre o filme, juntamente com o documentário Clandestinas, de Fádhia Salomão, confira aqui! Em 2017, a diretora Gillian Robespierre dirigiu o longa Lanline, também com a comediante Jenny Slate.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Gillian Robespierre

Presença de roteirista mulher: Gillian Robespierre

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Laerte, sentada em um sofá azul, sorrindo para alguém que não está visível na cena.

7/52 Laerte-se

O documentário de Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum desbrava o universo da cartunista Laerte Coutinho. A artista fala sobre transexualidade, sobre seu trabalho, a relação com os pais e a morte do filho. Enquanto ela conversa e anda por sua casa, vemos tirinhas assinadas por Laerte que dialogam com suas falas. Vemos Hugo se tornando Muriel e o Laerte se tornando a Laerte, em uma simbiose entre arte e vida, que gera um trabalho autobiográfico, sensível e crítico.

Laerte fala sobre o corpo, sobre nudez, transições, a questão política da escolha das roupas em um mundo “dominado” pelos homens, a militância e a vida particular.

O filme é o primeiro documentário brasileiro original da Netflix e estreou na plataforma no dia 19 de maio de 2017.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum

Presença de roteirista mulher: Lygia Barbosa da Silva, Eliane Brum e Raphael Scire

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Cartaz do Filme

6/52 – É Proibido Fumar, de Anna Muylaert

O segunda longa-metragem da cineasta Anna Muylaert tem o toque de inesperado e humor sombrio do seu primeiro filme, Durval Discos. Gloria Pires é Baby, uma professora de violão, que mora na casa que era da mãe e busca encontrar um companheiro. Quando o vizinho Max (Paulo Miklos) chega, Baby se interessa imediatamente e até tenta largar o cigarro por ele.

No desenrolar da vida de Baby, de suas irmãs e de seu relacionamento com Max, o filme aborda muitas questões sociais, culturais e morais. Assim, o longa é uma mistura de comédia, romance, filme de cotidiano, suspense e humor sombrio. Tudo é exposto de um jeito que parece leve, mas que surpreende a cada ação.

Anna Muylaert é diretora e roteirista, começou na TV Cultura, nos programas infantis Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum. Além de vários curtas e programas de TV, a cineasta já tem cinco longas como diretora. Que horas ela volta?, de 2015, a projetou nacionalmente ao ser selecionado como o indicado brasileiro ao Oscar e – ao mesmo tempo – expôs muitas questões do machismo por trás das câmeras no cinema brasileiro.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Anna Muylaert 

Presença de roteirista mulher: Anna Muylaert 

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas:  sim


Cartaz do Filme Capitães de Areia

5/52 – Capitães da areia, de Cecília Amado e Guy Gonçalves

O filme foi produzido como parte das comemorações do centenário de Jorge Amado e foi dirigido por sua neta Cecília Amado, em parceria com Guy Gonçalves. O longa é uma adaptação do livro “Capitães da areia” e conta a história de um grupo de meninos que vivem em um trapiche abandonado em um cais na cidade de Salvador.

Sem família ou dinheiro, excluídos e temidos pela sociedade, eles se organizam como grupo, sob a liderança do jovem Pedro Bala, e vivem de furtos e golpes. Os meninos, ainda muito novos, vivem histórias tristes, duras, e sofrem com a falta da família, com raiva da polícia e com o crescente rancor da elite.

Conhecemos as histórias de cada um, suas dores, seus amores, suas vocações.  Personagens que buscam alento nos mais diferentes locais: na religião, nos livros, nos braços de uma prostituta ou na capoeira. Apesar das dificuldades, é a liberdade que os une. Os capitães da areia conhecem e aproveitam cada ladeira, praça ou porto de Salvador, são os reis da cidade.

A dinâmica entre eles muda quando Dora, uma jovem que acaba de ficar órfã, chega ao trapiche com seu irmão caçula. Apesar de um começo difícil, os capitães passam a ver nela figuras até então inexistentes para eles, uma mãe e uma irmã. Pedro Bala vê a esposa. Assumindo esses papeis, ela ganha o carinho e a confiança de todos.  Corajosa e destemida, ela aos poucos conquista outro papel, se torna a primeira menina capitã e passa a participar de todas as aventuras do grupo.

Destaque para a maravilhosa trilha sonora do filme: https://vimeo.com/57021815

Bechdel Test: Reprovado x

Presença de diretora mulher: Cecília Amado e Guy Gonçalves

Presença de roteirista mulher: Cecília Amado e Hilton Lacerda

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Divinas Divas 1

4/52 – Divinas Divas, de Leandra Leal

O documentário proporcionou o reencontro do grupo Divinas Divas, que marcou a história do Brasil como a primeira geração de artistas travestis do país. As pioneiras Rogéria, Valéria, Jane di Castro, Camille K., Fujica de Holliday, Eloína, Marquesa e Brigitte de Búzios, hoje com cerca de 70 anos, ensaiam um novo espetáculo e, enquanto se preparam, conversam sobre suas trajetórias e sobre as dificuldades encontradas frente ao preconceito e à ditadura. Em meio às canções e coreografias, elas falam sobre as mudanças em seus corpos, sobre as apresentações internacionais, seus amores, famílias e as transformações encaradas pelo Brasil ao longo dessas décadas.

Leandra Leal é atriz – atuando em teatro, televisão e cinema – e produtora cultural. Divinas Divas é a sua estreia na direção de cinema. O documentário foi vencedor da categoria Melhor Filme pela votação popular do festival norte-americano South by Southwest (SXSW). O longa-metragem chega em junho aos cinemas brasileiros.

Bechdel Test: Aprovado 

Presença de diretora mulher: Leandra Leal

Presença de roteirista mulher: Carol Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo e Natara Ney 

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Cartaz de

3/52 – Ginger & Rosa, de Sally Potter

Ginger & Rose, de Sally Potter, de 2013, é ambientado em Londres, em 1962. As amigas Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) estão crescendo e descobrindo os caminhos de cada uma, no meio da Guerra Fria, da revolução sexual e da tensão gerada pelo medo da bomba nuclear dos anos 1960. É um filme sobre ritos de passagem e sobre as relações familiares e de amizade.

A diretora inglesa Sally Potter, que dirigiu seu primeiro filme, em 8mm, aos 14 anos, tem como uma das suas obra mais relevante o cultuado filme Orlando — A Mulher Imortal (1992), adaptação da obra de Virginia Woolf estrelada por Tilda Swinton. O mais novo longa, The Party, será lançado ainda este ano. Ao todo são oito filmes de longa-metragem de ficção, além de documentários, curtas, livros etc.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Sally Potter

Presença de roteirista mulher:  Sally Potter

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


Cartaz do filme

2/52 – Linha de passe, de Daniela Thomas e Walter Salles

Linha de passe, dirigido pelos parceiros Walter Salles e Daniela Thomas (Terra estrangeira e Primeiro dia), nos apresenta a história de Cleuza e sua família. Ela é mãe de quatro filhos crescidos, grávida do quinto, moradora da periferia paulistana e empregada doméstica. Além do receio de perder o emprego devido à gravidez, ela lida com os problemas de cada um dos filhos, tão diferentes entre si.

Dênis trabalha como motoboy, é pai ausente de um menino pequeno e irresponsável em todas as suas relações, se envolvendo, inclusive, em crimes. Dario sonha em ser jogador de futebol, mas está na idade limite para ser convocado e busca formas de burlar esse impedimento e realizar o seu sonho. Dinho trabalha em um posto de gasolina e, após superar um passado problemático, se apoia na religião. Reginaldo é o caçula. Seu sonho é descobrir quem é seu pai e vaga pela cidade todos os dias imaginando se ele é algum dos milhares por quem passa na rua.

Cleuza e seus filhos lidam com a frustração diária de não alcançar seus sonhos e lutam para superar os limites impostos pela sociedade e pela vida.

A atriz Sandra Corveloni ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes pelo papel de Cleuza. Cabe destacar que esse foi o primeiro trabalho da atriz para o cinema.

Bechdel Test: Aprovado 

Presença de diretora mulher: Daniela Thomas e Walter Salles 

Presença de roteirista mulher: Walter Salles, Daniela Thomas, Bráulio Mantovani, George Moura 

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim 


Cartaz do filme

1/52 – Amor, plástico e barulho, de Renata Pinheiro

Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro, conta a história de Shelly (Nash Laila) e Jaqueline (Maeve Jinkings), cantoras de música brega em busca de sucesso. Elas vivem entre a rivalidade feminina e a sororidade, passando por experiência parecidas, mas em momentos distintos da vida. Destaque para a cena de Jaqueline cantantando, a capela, e cheia de melancolia, “Chupa que é de uva”.

Bechdel Test: Aprovado

Presença de diretora mulher: Renata Pinheiro

Presença de roteirista mulher: Sergio Oliveira e Renata Pinheiro

Apresenta personagens mulheres importantes e complexas: sim


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