O destino de uma nação | #ElasNoOscar | Testes de representatividade

Continuamos com o nosso Especial do Oscar 2018 – #ElasNoOscar, analisando os filmes indicados à categoria de Melhor Filme na premiação deste ano. No primeiro post explicamos tudinho sobre os testes de representatividade analisados e detalhamos esta série especial. Confira!

O terceiro filme analisado é O destino de uma nação, de Joe Wright, indicado a seis categorias no Oscar deste ano: Melhor Filme; Melhor Maquiagem (Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick); Melhor Ator (Gary Oldman); Melhor Direção de Fotografia (Bruno Delbonnel); Melhor Figurino (Jacqueline Durran); e Melhor Design de Produção (Sarah Greenwood e Katie Spencer).

Para ampliar a experiência cinematográfica, recomendamos assistir também Dunkirk, de Christopher Nolan, outro concorrente ao Oscar de Melhor Filme, pois as obras complementam-se, abordando o mesmo contexto histórico.

destino de uma nação
Winston e Clemmie em cena de “O destino de uma nação”

O destino de uma nação

Sinopse

A história se passa no período da 2ª Guerra, na Inglaterra, e conta os bastidores do Parlamento na tentativa de vencê-la. O personagem que conduz a história é Winston Churchill, controverso, sarcástico, radical em suas convicções e excelente orador. Ele assume o cargo de primeiro ministro no momento crítico que os aliados perdiam a Guerra. Churchill precisava domar as críticas e, ao mesmo tempo, conter o seu temperamento não amigável para conseguir impor a sua estratégia.

Sob a ótica das mulheres

O ambiente do parlamento é majoritariamente masculino, com aparição, sem fala, de uma mulher em algumas sessões. O local de trabalho, tirando a sala de datilografia – a ala feminina -, possui regras que restringem a entrada de mulheres em partes estratégicas do ambiente. O conselho de guerra, montado por Churchill, não é exceção, sendo completamente masculino. Em uma cena no metrô, há uma composição mais harmônica de gêneros.

Apesar da gritante disparidade de participação dos gêneros no filme, duas mulheres principais aparecem na trama: Clemmie, esposa de Churchill, tão sarcástica e dura com ele, e Layton, datilógrafa, jovem, talentosa, mas inexperiente, recém designada para a função de acompanhar o primeiro ministro.

O papel delas é evidentemente vinculado a Churchill na trama. A esposa brilha nos poucos momentos que está em cena, devido à força de sua personalidade, mas a sua história é pouco tratada no filme. Layton, por sua vez, apesar de auxiliar Wiston Churchill na tentativa de alcançar uma abordagem mais humana, aparece em momentos pontuais e é pouco explorada, não desenvolvendo arco dramático.

Ficha Técnica

A ficha técnica analisada apresenta 38,46% de representatividade feminina. É importante ressaltar que a única função analisada exercida exclusivamente por mulher é a de Figurino. Vale observar que a função de Designer de Produção não é analisada neste teste, mas essa é também unicamente assinada por mulheres e está concorrendo ao Oscar na categoria.

Elenco Principal

Nos créditos finais do filme, são apresentados nove nomes, sendo dois de atrizes, compondo 22,22% de representatividade feminina perceptível na trama e contexto apresentado.

Bechdel-Wallace

Reprovado.

Tanto Clemmie quanto Layton só se falam uma vez e é justamente sobre Churchill. Na cena do metrô, aparecem mais personagens com nome, todavia é uma conversa com Churchill e não entre elas.

Mako-Mori

Reprovado.

Apesar de ter um caminho de história da personagem Layton, não foi considerado substancial o bastante para que seja considerado um arco dramático, reprovando na segunda e na terceira pergunta do teste.

Tauriel

Aprovado.

A personagem Layton, apesar de ainda inexperiente, consegue ganhar a confiança e credibilidade de Churchill, passando no teste. Vale ressaltar que, apesar da personagem Clemmie existir no contexto da história por ser esposa de Churchill, é possível perceber destreza e talento em conduzir a rotina familiar.

Barnett

Reprovado.

Os diálogos masculinos de fato passam, mas tendo em vista que as personagens femininas não conversam entre si, e que são minoria, o filme é reprovado na primeira pergunta do teste. Na segunda, que trata da violência atrelada ao comportamento masculino, Churchill diversas vezes se exalta, tendo em vista sua personalidade e pressão da situação, mas não levando de fato à violência física, como o teste propõe. Assim, como em outros filmes que perpassam o contexto de guerras, neste ela serve como contextualização da trama. Dessa forma, se o filme passasse na primeira pergunta do teste, poderia ter sido aprovado, porém não foi o caso.

datilógrafa
Elizabeth Layton

Aspectos da análise

1) Sinopse geral do filme de acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers; 2) A ótica das mulheres; 3) Representatividade feminina na ficha técnica (Direção, Roteiro, Produção, Produção Executiva, Direção de Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Trilha Sonora, Edição de som, Mixagem de Som, Edição, Efeitos Especiais e Maquiagem); 4) Representatividade feminina no elenco principal; e 5) Análise dos Testes de Representatividade.

Testes de representatividade

Teste Bechdel-Wallace: As mulheres têm nome? Se falam? É sobre homem?

Teste Mako Mori: Tem mulher? Tem arco dramático? É apoiado no arco do homem?

Teste Tauriel: Tem mulher? Ela só está na trama para ser par romântico/possui competência em algo?

Teste Barnett: Tanto homens quanto mulheres falam entre si só sobre o sexo oposto? Os personagens masculinos têm comportamento atrelado à violência que trate como humor/falta de seriedade/normal/aceitável/como se alguém merecesse a violência?

Leia mais sobre a série #ElasNoOscar:

The Post: a guerra secreta

Trama fantasma

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