Green Book | Testes de representação e representatividade

Green Book, filme dirigido por Peter Farrelly, concorre este ano em cinco categorias no Oscar: Melhor Filme (Jim Burke, Charles B. Wessler, Brian Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga), Ator Principal (Viggo Mortensen), Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Roteiro Original (Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Currie) e Edição (Patrick J. Don Vito).

A obra recebeu o prêmio de Melhor Filme (Musical ou Comédia) no Globo de Ouro deste ano; além de diversas premiações (Globo de Ouro, Critics Choice Awards, BAFTA, Screen Actors Guild etc.) para a atuação de Mahershala Ali como Don Shirley que é, sem sombra de dúvidas, um dos pontos altos da obra.

Sinopse geral do filme

De acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers

O filme conta a história do “segurança” de casas noturnas, Tony “Lip” Vallelonga (Viggo Mortensen) que, na década de 1960, é contratado pelo pianista e compositor Don Shirley (Mahershala Ali) como motorista, para acompanhá-lo durante uma turnê no “Sul Extremo” dos Estados Unidos.

Para auxiliar na viagem, a gravadora de Don dá uma cópia do Green Book (The Negro Motorist Green Book), um guia para negros que viajavam de carro durante a era das Leis de Jim Crow – que institucionalizaram a segregação racial nos estados do Sul dos Estados Unidos -, indicando locais relativamente amigáveis para os negros norte-americanos. Ao longo da viagem, os dois personagens, que inicialmente não se entendiam, vão desenvolvendo uma amizade.

A ótica das mulheres

Como pode se perceber pela curta sinopse, o papel das mulheres no filme é completamente irrelevante para o desenvolvimento da narrativa. Maior exemplo disso é que, em uma das poucas cenas em que acontece um diálogo entre três personagens mulheres (sob os olhares de seus respectivos maridos e familiares), Dolores (Linda Cardellini), esposa de Tony, lê uma carta….. de Tony, para as outras duas, que são suas cunhadas. No mesmo diálogo, quando uma delas pede ao marido que também escreva cartas românticas para ela, o marido, que estava na mesa jogando baralho com outros homens, diz que só irá fazer isso quando ela cozinhar para ele, em um diálogo que aparentemente era para ser engraçado, aos olhos do diretor.

Representatividade feminina na ficha técnica

Direção, Roteiro, Produção, Produção executiva, Direção de fotografia, Design de produção, Figurino, Trilha sonora, Edição de som, Mixagem de som, Edição, Efeitos especiais e Maquiagem.

Em Green Book, de um total de 290 cargos de produção do filme, 80 são preenchidos por mulheres,  totalizando 27,5% dos cargos ocupados por mulheres.

Representatividade feminina no elenco principal

Créditos iniciais/finais

Dos 35 personagens com nomes no filme, apenas 6 são mulheres, totalizando 17,1% de mulheres no elenco principal.

Bechdel-Wallace

As mulheres têm nome? Se falam? É sobre homem?

Reprovado. O único diálogo entre duas ou mais personagens mulheres é constantemente interpelado por homens e existe para ler a carta de um homem.

Mako-Mori

Tem mulher? Tem arco dramático? É apoiado no arco do homem?

Reprovado. Dolores, a esposa de Tony “Lip” existe somente para servir de apoio para o personagem de Viggo Mortensen. As demais mulheres não tem nem falas significativas, muito menos um arco dramático desenvolvido.

Tauriel

Tem mulher? Ela só está na trama para ser par romântico/possui competência em algo?

Reprovado. Dolores passa todo o tempo do filme cuidando da casa, dos filhos e recebendo e lendo cartas de Tony.

Barnett

Tanto homens quanto mulheres falam entre si só sobre o sexo oposto? Os personagens masculinos têm comportamento atrelado à violência que trate como humor/falta de seriedade/normal/aceitável/como se alguém merecesse a violência?

Reprovado. O único diálogo entre personagens mulheres no filme é sobre o sexo oposto, enquanto poucos diálogos entre personagens homens são somente sobre o sexo oposto.

A segunda pergunta é um pouco mais complexa, já que o personagem de Viggo Mortensen tem comportamentos violentos ao longo de todo o filme, tendo que exerce-los na sua própria profissão, normalizando e entendendo o uso da violência como aceitável pelos seus iguais. A partir do momento em que, na narrativa, ele é tensionado pelo personagem de Mahershala Ali, que não aceita a violência como solução para seus problemas, ele começa a alterar um pouco seu comportamento.

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