Mais que amigas, amigas empoderadoras! | Sororidade

Sororidade: união e aliança entre mulheres com base na empatia e no companheirismo.

Neste Dia do Amigo, vamos falar sobre a importância da amizade entre mulheres. Um sentimento empoderador, que dá forças e ajuda a formar redes de apoio, segurança e confiança.

Costuma-se falar que mulheres não são verdadeiramente amigas, que não conseguem evitar competir, que são falsas e sempre falam mal umas das outras. É fácil perceber que isso não é verdade e, muito menos, “natural”. As pessoas são diferentes, com defeitos e qualidades que independem do gênero, não sendo uma característica natural das mulheres a competição.

O mito da rivalidade feminina está tão enraizado e difundido que é pouco questionado. E, obviamente, o machismo se fortalece cotidianamente nessas falsas impressões. “Mulheres mentem com mais facilidade”, “mulheres não se dão bem”, “equipes com muitas mulheres sempre têm problemas”, “mulheres gostam de se intrometer na vida dos outros”, “prefiro ter amigos homens porque eles são mais sinceros”, “mulher é competitiva / ciumenta / fofoqueira / reclamona / gastadeira / faladeira”… Com esse tipo de pensamento é muito mais fácil convencer alguém a contratar, eleger ou promover um homem.

Sem perceber, ajudamos a propagar estereótipos que nos limitam e que nos excluem de espaços que deveríamos conquistar. Ao tentar derrubar a outra (nossa possível rival), derrubamos os degraus que nos ajudariam a ascender – juntas! E só quem lucra com isso é o sistema patriarcal.

A desunião não acontece de forma natural e aleatória, sendo reforçada constantemente através de piadas, comentários, propagandas, livros, filmes, novelas etc. Falando especificamente de audiovisual, quem assistiu à série Gossip Girl? As protagonistas Serena e Blair aparecem em grande parte das listas de melhores amigas de seriados. Apesar disso, é fácil perceber que a relação entre as duas é pautada quase que completamente pela rivalidade, revezando entre uma amizade intensa e muitas ações perversas e deliberadas para machucar e prejudicar uma à outra. Apesar disso, Gossip Girl é usada como exemplo de amizade entre adolescentes, em uma visão distorcida de como deve ser essa relação.

Assim como ela, existem muitas séries e filmes que focam em relações disfuncionais entre meninas (Sierra Burgess é uma loser, Meninas malvadas, Para todos os garotos que amei, dentre muitos outros) e poucos exemplos de obras que trabalham a amizade positiva e saudável entre mulheres.

Por esse motivo, listamos algumas duplas de amigas que aquecem nosso coração com uma relação de companheirismo, confiança e afeto. Que mostram que mulheres podem sim ser amigas e que podem conquistar o mundo à medida que se unem.

Que tal convidar uma amiga (ou várias) para conhecer essas relações positivas?


Poussey e Taystee

Orange is the new black

Que saudade dessa dupla! Apesar de OITNB conter vários núcleos de amizade, nenhum foi como Poustee. As duas se conhecem na prisão de Litchfield e logo se aproximam, Poussey trabalha na biblioteca e Taystee adora ler. Ambas são engraçadas, inteligentes, fortes e sarcásticas.

Divertem-se com uma brincadeira em que fingem ser Amanda e Mackenzie, garotas brancas, ricas, com problemas típicos de seu mundo privilegiado. Com bom astral na maior parte do tempo, elas desenvolvem uma dinâmica própria e sabem que podem contar uma com a outra, mesmo que às vezes a violência da prisão tente exigir outros posicionamentos e prioridades delas.

Everyone I know is poor, in jail, or gone. Don’t nobody ask about how my day went… I know how to play it here. Where to be, and what rules to follow. I got a bed. And I got you” – Taystee para Poussey.

Meredith e Cristina

Grey’s Anatomy

Quantas cenas, com danças, porres, desastres e muitas e muitas horas em salas de cirurgia foram compartilhadas entre Meredith e Cristina?  Duas mulheres fortes e independentes. Duas colegas de profissão que se apoiam e se forçam a crescer. Duas mulheres fodas (criadas por uma mulher mais foda ainda, não vamos perder a oportunidade de repetir)! Só uma dupla tão icônica da sororidade feminina criaria frases de efeito tão potentes.

Você é a minha pessoa”: lá nos primórdios da série, Cristina Yang descobre que está grávida de Preston Burke e, quando decide fazer um aborto, coloca o contato da amiga como a pessoa a quem ligar em caso de emergência. É assim que nasce a frase “você é a minha pessoa”, que volta em tantos outros momentos da série e de forma tão intensa nos passa essa sensação de rede de apoio e cuidado!

Você é o sol”: na despedida de Cristina do seriado – que, claro, foi ser a dona da porra toda em outro lugar (ela não poderia ter outro fim, hein, Shonda) – as duas amigas dançam no quarto de espera do hospital. Na saída, Cristina olha para Mer e joga a real: “você é uma cirurgiã talentosa com uma mente extraordinária. Não deixe o que ele quer se sobrepor ao que você precisa. Ele é um sonho, mas não é o sol. Você é”.

Maeve e Aimee

Sex Education

Vamos admitir: a amizade não começa como um exemplo tão positivo, afinal, as amigas Maeve e Aimee, que são de grupos distintos na escola (o que isso ainda significa, gente?), encontram-se escondidas do resto da escola, no banheiro interditado. As conversas são sempre sinceras, divertidas e com uma partilha bacana entre as jovens. Durante o desenrolar da história, Aimee decide apoiar e se colocar ao lado da amiga, mesmo sem a “aprovação” do seu grupo de colegas.

Sansa e Arya

Game of thrones

Irmãs, mas nem sempre amigas. Sansa e Arya cresceram enxergando as suas diferenças, inclusive com doses de críticas ferrenhas ao estilo que a outra escolhia para a sua própria vida. Anos em diáspora, as irmãs Stark viveram, cada uma, seus infernos, mas saíram disso tudo mais fortes, inteligentes e, sim, amigas.

O primeiro episódio da 8a – e última – temporada de Game of Thrones, nos brindou com uma força e cumplicidade entre as duas. Mesmo com a volta de Jon Snow, que era quem Arya tanto admirava e tinha como ícone e exemplo, ela continua defendendo a inteligência e as decisões da Lady de Winterfell frente ao irmão. Sansa, por sua vez, passa a admirar a força e a coragem da irmã, que tanto criticava na infância.

Grace e Frankie

Grace and Frankie

Grace e Frankie são muito diferentes e nunca gostaram muito uma da outra. Quando seus maridos pedem o divórcio para finalmente assumir um relacionamento de décadas, elas se veem em uma situação inusitada, que somente a outra pode compreender em sua totalidade. No meio do caos, decidem morar juntas em uma casa de praia.

Com estilos de vida completamente diferentes, o contato diário nem sempre é fácil, mas permite que ambas cresçam, experimentem e se ajudem no processo de cura. Nessa nova fase, cada uma segue em seu próprio ritmo, mas contam uma com a outra, em uma relação de companheirismo e honestidade.

Monse e Olivia

On my block

Monse viveu a vida toda no mesmo bairro e tem um grupo de amigos de infância muito leal e unido. Como a única menina do quarteto, ao entrar na adolescência, passa por experiências que não são compartilhadas pelos companheiros e vivencia sozinha algumas situações que geram incômodo, frustração, medo e raiva.

Tudo muda quando os pais de Olivia são deportados e ela se muda para o bairro de Monse, abrigada pela família de um de seus melhores amigos. As duas logo percebem que podem contar uma com a outra e a protagonista, acostumada a lidar apenas com o pai e com os amigos, descobre a força de ter uma amiga. Muito mais do que dicas de roupas ou alguém para conversar sobre namoros (o que também acontece), Monse encontra uma pessoa que passa por situações parecidas com as que ela passa. Que enfrenta dificuldades e medos similares aos que ela encara diariamente na rua e na escola, sem minimizá-los ou encará-los com o privilégio masculino.

Olivia se torna popular e passa a ser o centro das atenções no grupo de Monse. Nem por isso ela se incomoda ou tenta recuperar o posto, aproveitando a relação com a amiga para zombar das bobagens dos meninos. Quando se interessam pela mesma pessoa, sofrem com a situação. Não pelo medo de perder, mas pelo receio de magoar. As duas provam que competição feminina não tem nada de natural e que a amizade entre meninas é necessária, bonita e fortalecedora.

Já escrevemos sobre essa relação aqui!

Rory e Lane

Gilmore Girls

Amigas de infância, em uma cidade do interior, que compartilham segredos e sonhos. Ao longo de sete temporadas, vemos essa dupla crescer, amadurecer e se aventurar em novas experiências. Rory vai estudar fora da cidade, destinada a grandes feitos e às melhores universidades. Todos acham que Stars Hollow é pequena demais para ela. Lane vive superprotegida pela mãe, que deseja arranjar-lhe um bom casamento cristão e vê-la cuidar do negócio da família na cidade em que cresceu.

Afastadas pelo cotidiano, as duas continuam marcando a vida uma da outra, durante colégio, faculdade, emprego e filhos. Mesmo convivendo pouco, apoiam uma à outra nas fases boas e nos momentos em que a vida se mostra tão difícil. Elas têm a certeza de que têm um canto seguro e um ouvido amigo para quando precisarem. E sabem a sorte e a raridade que isso é.

Mel e Jane

Até que a gente te separe

Mel e Jane montam um negócio que é responsável por finalizar relacionamentos. Sim, elas inventam histórias e encenações para avisar ao desavisado ou a desavisada que seu relacionamento chegou ao fim, protegendo a covardia de quem pagou para isso ser feito.

Quando o negócio e também a amizade enfrentam uma grande crise, elas vão precisar relembrar o porquê de serem amigas e questionar o que querem para o negócio delas.

Carol Danvers e Maria Rambeau

Capitã Marvel

Carol Danvers conseguiu lembrar de seu passado graças a tantas memórias guardadas por Maria Rambeau e sua filha Monica. A amizade entre as duas foi fundamental para ambas, fortalecendo-as a serem pilotas na Força Nacional dos EUA.

Além disso, Carol foi uma pessoa muito presente na infância de Monica, sendo lembrada pela menina com muito amor e carinho. Maria também foi peça importante na missão de Carol para a libertação da família e do povo sobrevivente do general skrull Talos.

Já escrevemos sobre Capitã Marvel aqui!

Ana e Vitória

Ana e Vitória

O filme Ana e Vitória, de Matheus Souza, disponível na Netflix, traz uma narrativa ficcional na qual as personagens da dupla Anavitória interpretam livremente as suas vidas. O filme, com pegada adolescente e inspiração em musicais, é um alento à representação da amizade entre mulheres. Há entre elas algo que tanto queremos disseminar: o brilho em se elevar a potência de sua amiga. Isso fica presente até na carreira das duas.

Ana, que já era cantora e que escrevia suas músicas, ainda não tinha conseguido viver de sua arte. Vitória aparece para completar o que faltava e, juntas, as duas despontam. E nesse processo, muito além da carreira profissional, há uma busca por se entender, se aceitar e ser feliz na sua própria pele. E cada uma sabe apoiar a outra em cada passo do caminho.


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