O filme Bugonia, do diretor Yorgos Lanthimos, foi indicado em quatro categorias no Oscar 2026: Filme; Atriz (Emma Stone); Roteiro Adaptado; e Trilha Sonora.
Com uma indicação surpreendente ao Oscar de Melhor Filme, Bugonia traz paranoia, teorias da conspiração, desigualdade social e ficção científica – por quê não? O filme é um remake do sul-coreano Save the green planet de 2003, escrito e dirigido por Jang Joon-hwan.
A seguir, analisamos o filme Bugonia com o nosso Teste Arte Aberta. Para saber mais sobre o teste, confira o texto introdutório.

Sinopse
De acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers
O jovem Teddy (Jesse Plemons) quer melhorar a vida na Terra ao sequestrar a CEO Michelle Fuller (Emma Stone), já que acredita fortemente que ela é uma alienígena. O plano de Teddy é fazer com que Michelle chame sua nave-mãe Andrômeda para que a Terra volte a ser um bom lugar para se morar.

Ótica de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD
A narrativa gira em torno de duas pessoas: Michelle e Teddy. Ambos são pessoas brancas. Michelle é uma personagem fascinante: uma CEO renomada, reconhecida com prêmios e capa Forbes, estrategista e focada. Teddy, por outro lado, é um rapaz que achou na internet uma fonte de “pesquisa” para entender como o mundo pode ser tão cruel.
Há outros personagens, como Don (Aidan Delbis), Sandy (Alicia Silverstone), Casey (Stravros Halkias), Chris (Cedric Dumornay) e Corey (Vanessa Eng). Corey é interpretada por uma atriz asiática e que não aparece nos créditos finais do filme, apesar de ser a única mulher com quem Michelle tem interação. Quem também não aparece nos créditos finais, mas é interpretado por um homem negro, é o Chris, que é alguma espécie de assistente de comunicação.
Sandy é interpretada por Alicia Silverstone, uma mulher branca, e tem interações com Teddy, seu filho. Mas as cenas são em formato de memória, já que Sandy, no momento dos acontecimentos do sequestro, está em coma no hospital. A única informação que temos dela é que era usuária de opióides e participou de alguma pesquisa da empresa de Michelle para reverter o vício.
A relação entre Teddy e seu primo Don é bem próxima e há muito amor entre os dois. Teddy trata Don muito bem, elogiando-o constantemente, apesar de trazer o primo para a paranóia e o absurdo do mundo dos alienígenas. É interessante e genuíno assistir a uma relação entre dois homens da família, com trocas de “eu te amo”, se apoiando – ainda que nesse contexto.
Não há indicação de representação de personagens LGBTQIA+/PcD no filme. Temos sim uma personagem feminina interessante e em posição de poder, mas que o final do filme nos faz questionar se ela era assim por ser de outra raça.

Representatividade de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD
Direção e Roteiro*
* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero
A direção é de Yorgos Lanthimos, que é um homem cis branco, assim como o roteirista do filme, Will Tracy. Com base em informações públicas disponíveis na internet, há forte indicação de que os dois são heterossexuais. Não foram encontradas informações sobre eles possuírem alguma deficiência.
Dessa forma, a ficha técnica principal (direção e roteiro) é composta 0% por pessoas não brancas, 0% por mulheres, 0% por PcD e 0% por LGBTQIA+.

Elenco principal*
Créditos iniciais/finais
* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero
Nos créditos finais temos cinco nomes: Emma Stone (Michelle Fuller), Jesse Plemons (Teddy), Aidan Delbis (Don), Stravos Halkias (Casey) e Alicia Silverstone (Sandy).
Assim, temos Emma Stone e Alicia Silverstone como mulheres no elenco principal. Aidan Delbis está no espectro autista. Todas as pessoas no elenco principal são brancas.
Não encontramos nenhuma fala pública ou oficial sobre o elenco ser LGBTQIA+.
Dessa forma, o elenco é composto por 40% de mulheres, 0% de não brancos, 0% LGBTQIA+ e 20% de PcD.

Representação
Mulheres
Presença (Bechdel-Wallace)
As mulheres têm nome?
Se falam por mais de 60 segundos?
Sobre outro assunto que não seja homens?
Aprovado.
Há um diálogo de exatamente 60 segundos entre Michelle e Corey sobre assuntos da empresa, uma vez que Corey é assistente de Michelle. Não há nenhum outro diálogo entre mulheres durante o filme.

Arco Dramático (Mako-Mori)
Tem mulher?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de gênero?
Aprovado.
Michelle tem um arco dramático que beira ao absurdo, mas combina com a narrativa e com o propósito do filme. Michelle é estrategista, focada, absurdamente calma durante seu sequestro. A questão fundamental é que o final deixa uma dúvida: ela era boa mesmo ou essas características existem porque era uma alienígena – que é de uma raça diferente da humana e por isso o gênero pode funcionar diferente?
Apesar das dúvidas, Michelle é uma personagem fenomenal, fazendo com que tenhamos pena e depois raiva, um misto de emoções. Como uma figura política no enredo, entendemos o que ela precisava fazer e ser para chegar até ali.

Competência (Tauriel)
Houve mulher(es) com atividade profissional definida?
Ela é competente na atividade?
Grau da Competência Caso a mulher seja competente, quão competentes elas são em sua atividade profissional (1 a 5 , sendo 1 – pouco competente e 5 – muito competente)
Houve reconhecimento dessa competência?
Aprovado.
Nota: 5
Independente de ser alienígena ou não, Michelle ocupa espaços e é fortemente reconhecida em ambos os locais: na Terra e na nave Andrômeda. Como CEO da empresa, Michelle acumula prêmios, capas de revista, amizades com famosos e comanda a empresa com forte estratégia, ainda que seja às custas de outras pessoas. Como imperador, Michelle chega à conclusão de que os seres humanos não têm mais jeito, é necessário sacrificá-los. Quem dá a palavra final sobre isso é ela.

Qualidade da representação – mulheres
Como é a representação das personagens mulheres (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 3
É impressionante dizer que não há estereótipos na construção de Michelle, inclusive não há uma “masculinização” dela para que seja vista como uma boa CEO. Michelle faz lutas, ioga, “paga caro” por uma dieta restritiva e usa sapatos Louboutin. Tenta tratar todos bem, apesar de forçar sorrisos para que seus pedidos sejam recebidos com mais carinho – ainda que sejam pedidos para que trabalhem mais ou mudem algo porque ela simplesmente não gostou.

Raça
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem não branco?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de raça?
Reprovado.
Apesar de haver personagens não brancos no filme, eles não têm arco dramático próprio, aparecendo em poucas cenas.
Qualidade da representação – raça
Como é a representação dos personagens não brancos (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 0
Não há personagem não branco no filme com relevância.
LGBTQIA+
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem LGBTQIA+?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de LGBTQIA+?
Reprovado.
Não há personagem LGBTQIA+ no filme.
Qualidade da representação – LGBTQIA+
Como é a representação das personagens LGBTQIA+ (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 0
Não há personagem LGBTQIA+ no filme.
PcD
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem PcD?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de PcD?
Aprovado.
Aqui consideramos aprovado por conta do ator no espectro autista Aidan Delbis. Apesar de não haver clara menção ao espectro no filme, é importante considerá-lo assim. Don, interpretado por Aidan Delbis, tem arco dramático e toma as próprias decisões após estar em uma situação de extremo estresse. A decisão dele de tirar sua própria vida veio a partir de seu entendimento quanto à situação nada promissora na qual se encontrava. Se não fosse por Don, Teddy não conseguiria executar o sequestro e, em suas últimas palavras, Don diz que o ama.

Qualidade da representação – PcD
Como é a representação das personagens PcD (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 2
Don tem suas dúvidas e questiona Teddy em diversos momentos, apesar de aceitar o que o primo diz logo em seguida, inclusive quanto à castração química sugerida por Teddy. Há desejos e análises da situação por parte de Don, então não identificamos muitos estereótipos em relação a ser uma pessoa no espectro autista.

Resumo do Teste Arte Aberta

Representatividade


Representação



Estrelas Arte Aberta: 2

