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Marty supreme | Teste Arte Aberta no Oscar 2026

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O filme Marty supreme, do diretor e roteirista Josh Safdie, foi indicado em nove categorias no Oscar 2026: Filme, Direção, Elenco, Ator Principal, Roteiro Original, Fotografia, Design de Produção, Figurino e Edição.

Com essas indicações, a obra tem duas mulheres concorrendo a estatuetas: Jennifer Venditti na categoria Elenco e Miyako Bellizzi por Figurino.

Venditti é conhecida por buscar talentos fora dos circuitos tradicionais e por contratar não atores. Por Marty supreme ela também recebeu indicações e menções em premiações como o BAFTA e o London Critics’ Circle Awards. Antes disso, seu trabalho na série Euphoria rendeu uma indicação ao Emmy. 

Miyako Belizzi é uma figurinista americana de ascendência japonesa e essa é sua primeira indicação ao Oscar. Em Marty supreme, foi necessário recriar o vestuário de Nova York dos anos 50, com centenas de figurantes, além de criar uniformes para mais de 16 países em cenas de campeonatos internacionais de pingue-pongue. Pelo cuidado aos detalhes e à autenticidade, o trabalho da profissional tem sido reconhecido e muito elogiado.

A seguir, analisamos o filme Marty supreme com o nosso Teste Arte Aberta. Para saber mais sobre o teste, confira o texto introdutório.

Sinopse

De acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers

O filme acompanha a jornada de Marty Mauser, um jovem ambicioso e arrogante que sonha em se tornar o melhor jogador de pingue-pongue do mundo.

Ótica de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD 

O protagonista, Marty Mauser, é um rapaz branco, hétero, sem deficiências, prepotente e narcisista, que se coloca acima de todos os demais. Ele é extremamente irresponsável com as pessoas à sua volta e usa os amigos, parentes e interesses amorosos para alcançar seus objetivos.

Apesar de não abordar tais questões de forma expressa, o longa-metragem perpassa a construção da masculinidade e a pressão social sobre o “homem ambicioso” da época, mostrando como expectativas de gênero podem moldar comportamentos e escolhas. 

Kay Stone é uma atriz de Hollywood que foi muito famosa nos anos 30 e pausou a carreira após o casamento. Apesar do talento e da grande fama, ela é condicionada a abandonar a profissão e orbitar em torno do marido. Ela passa anos à sua sombra, dedicada à função de esposa e mãe, abrindo mão de suas paixões e talentos.

A trajetória do protagonista é desenvolvida em contraste. Enquanto Kay é pressionada a encolher-se, Marty é impelido a expandir-se. Seu desejo de fama e reconhecimento ocorre em um contexto adverso: o pingue-pongue não é valorizado como esporte nacional, faltam investimentos e prestígio. Ainda assim, sua confiança é inabalável, transformando-se, inclusive, em arrogância. Marty acredita ser superior em talento, inteligência e merecimento. Essa autopercepção não é apenas traço de personalidade, mas reflexo de uma masculinidade que associa valor pessoal à conquista, ao destaque e ao domínio.

Kay é ensinada a renunciar e Marty é ensinado a vencer a qualquer custo. A lógica do “homem ambicioso” legitima, a seu ver, seu comportamento antiético: ele engana pessoas, usa os amigos e abandona aqueles que o ajudaram, sempre sob a convicção de que o mundo lhe deve reconhecimento. Sua trajetória evidencia como a pressão para alcançar sucesso e notoriedade pode produzir uma masculinidade instrumental, em que relações se tornam meios e não fins.

Nesse mesmo pensamento, ele trata as pessoas de formas muito diferentes. Alterna entre bajulação e agressividade conforme o lugar que o outro ocupa em sua trajetória de ascensão.

Enquanto puxa saco daqueles que podem ajudá-lo a alcançar prestígio, os que não possuem utilidade imediata ou que ocupam posições socialmente vulneráveis tornam-se alvo de desprezo, desconfiança ou hostilidade aberta. Coincidência ou não, esse padrão aparece com frequência justamente em relação a grupos minoritários.

Um primeiro eixo dessa dinâmica está na forma como Marty encara as mulheres. O protagonista demonstra reiteradamente desconfiança em relação a elas, sobretudo à mãe e à vizinha e amante, Rachel. Em seu discurso, ambas aparecem como figuras que tentam manipulá-lo e aprisioná-lo em uma vida medíocre. 

É verdade que Marty está inserido em um ambiente permeado por trapaças e jogos de interesse, e que essas personagens também recorrem a estratégias para lidar com ele. No entanto, é significativo que justamente um personagem que manipula pessoas, aplica golpes e instrumentaliza relações sem remorso projete sua desconfiança especialmente sobre mulheres. Isso parece não ser apenas resultado de fatos isolados e sim expressão de um olhar que associa o feminino à armadilha, à dependência e ao impedimento de sua ambição.

A relação com Rachel evidencia esse padrão de forma ainda mais contundente. Amiga de infância de Marty, ela é casada e mantém um caso com ele. Quando ela engravida, Marty se recusa a assumir qualquer responsabilidade. Em diferentes momentos ele a abandona deliberadamente, priorizando seus próprios interesses mesmo diante das dificuldades dela.

Além disso, faz questão de humilhá-la verbalmente: afirma que Rachel tem uma vida miserável e que jamais conseguirá sair daquela realidade, enquanto ele inevitavelmente alcançará o sucesso. Isso reforça a sua ideia de que tanto Rachel quanto sua mãe tentariam sabotá-lo para mantê-lo preso ao mesmo contexto social. Assim, o protagonista constrói uma narrativa em que as mulheres aparecem como forças de contenção da sua ascensão. Uma percepção que legitima, em sua própria lógica, a indiferença e o abandono.

Esse comportamento não se limita às mulheres. Em outros momentos do filme, Marty demonstra agressividade diante de figuras associadas a minorias ou posições marginalizadas. Um exemplo é a sua relação com Sethi, chefe da associação internacional de tênis de mesa, um homem não branco com traços indianos. Nas discussões com ele, Marty adota um tom explosivo e prepotente. A forma grosseira com que se dirige a Sethi contrasta com a habilidade estratégica que demonstra ao lidar com outras figuras. Como, por exemplo, Milton Rockwell, marido de Kay, empresário milionário e um homem branco, a quem Marty bajula e permite até humilhá-lo publicamente.

A mesma lógica aparece na maneira como Marty fala de seus adversários. Ele frequentemente os ridiculariza, faz piadas depreciativas e ultrapassa limites que chocam seus interlocutores. Ao comentar com jornalistas sobre um oponente húngaro chamado Kletzki (que, além de rival, também é seu amigo), Marty afirma que fará com ele o que Auschwitz não conseguiu fazer: “acabar com ele”. Em seguida tenta relativizar o comentário dizendo: “está tudo bem, eu sou judeu, eu posso dizer isso”. A fala evidencia não apenas seu desprezo pelo adversário, mas também sua disposição de instrumentalizar identidades e traumas históricos para produzir impacto.

Outro episódio significativo ocorre quando Koto Endo, um adversário japonês surdo, vence Marty em uma partida. Incapaz de lidar com a derrota, o protagonista reage com fúria, arremessa uma lixeira e acusa o oponente de ter recebido orientações durante o jogo. Sua suspeita parece recair sobre o aparelho auditivo de Endo, que ele sugere estar sendo usado para burlar a competição, comparando a situação a jogar com um “braço mecânico”. O episódio revela como Marty rapidamente transforma frustração pessoal em deslegitimação do outro, especialmente quando o adversário pertence a um grupo minoritário.

Em conjunto, esses episódios reforçam a ideia de que Marty estabelece hierarquias evidentes em suas relações. O respeito que demonstra não é fruto de reconhecimento genuíno do outro, mas de cálculo. Aqueles que podem impulsionar sua carreira são tratados com cuidado estratégico, já aqueles percebidos como obstáculos ou dependentes tornam-se alvos de desprezo, suspeita ou agressividade. Desse modo, o filme sugere que o comportamento de Marty ultrapassa um traço meramente individual, ele expressa e reproduz uma lógica social em que ambição e poder se articulam para legitimar atitudes machistas, racistas e capacitistas.

Cabe destacar que o protagonista é um homem branco judeu, sendo essa considerada uma questão étnica-religiosa e não fazendo parte da classificação do Teste Arte Aberta. Além disso, no filme não há representação de pessoas LGBTQIA+.

Representatividade de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD

Direção e Roteiro*

* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero

A direção do filme é de Josh Safdie e o roteiro é uma parceria entre ele e Ronald Bronstein. Ambos são homens brancos e não foram encontradas informações sobre eles serem LGBTQIA+ e/ou PcD.

Dessa forma, a ficha técnica principal (direção e roteiro) é composta 0% por pessoas não brancas, 0% por mulheres, 0% PcD e 0% LGBTQIA+.

Elenco principal*

Créditos iniciais/finais

* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero

Constam nos créditos finais do filme 14 nomes: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma (Tyler, the Creator), Abel Ferrara, Fran Drescher, Emory Cohen, Géza Röhrig, Penn Gillette, Sandra Bernhard, Koto Kawaguchi, Larry Ratso Sloman e Luke Manley.

Assim, temos quatro mulheres brancas (Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Fran Drescher e Sandra Bernhard), um homem negro (Tyler, the Creator), um homem asiático (Koto Kawaguchi) e oito homens brancos. Sandra Bernhard é a única publicamente assumida como LGBTQIA+, sendo bissexual. E Koto Kawaguchi é PcD.Dessa forma, o elenco é composto por  28,57% de mulheres, 14,28% de não brancos, 7,14% de LGBTQIA+ e 7,14% de PcD.

Representação

Mulheres

Presença (Bechdel-Wallace)

As mulheres têm nome? 

Se falam por mais de 60 segundos?

Sobre outro assunto que não seja homens? 

Reprovado.

Apesar de haver mulheres com nome, como Rachel e Kay, elas não conversam entre si.

Há uma conversa entre Judy, uma vizinha, e a mãe de Marty.  Enquanto o protagonista está em um campeonato, Judy fala com ele ao telefone e é possível ouvir as duas cochichando ao fundo. A mãe de Marty pede que Judy minta para seu filho e diga que ela está doente para que ele volte para casa, enquanto a vizinha tenta recusar. 

No entanto, apesar de nos créditos do filme a personagem ser indicada como Rebecca Mauser, ao longo da obra ela só é chamada de Sra. Mauser. Portanto, consideramos que ela não tem nome na obra.

Arco Dramático (Mako-Mori) 

Tem mulher? 

Tem arco dramático próprio? 

O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de gênero?

Aprovado.

Rachel inicia e termina o filme dependente de Marty. Mesmo quando briga com ele e tenta lidar com suas questões sozinha, acaba priorizando o bem estar e os interesses dele aos seus.

Kay, no entanto, tem um arco dramático próprio. Quando a obra inicia, ela está há anos sem atuar. É conhecida como uma grande atriz de Hollywood dos anos 30, lembrada e elogiada pelos trabalhos do passado, mas sem produções atuais. Quando Marty a conhece, ela apenas acompanha o marido nas viagens de trabalho dele, enquanto Milton segue produtivo e atuante.

Kay conta para Marty que casou pela segurança, depois engravidou e o marido a pressionou a abandonar a carreira. Ela diz que se acomodou e o tempo passou. Quando Kay reaparece no filme, anos depois, retomou sua carreira e está prestes a estrear uma peça de teatro. 

Ela está reassumindo as rédeas da sua vida e ativamente retomando a sua profissão, seu público e sua paixão.

Competência (Tauriel)

Houve mulher(es) com atividade profissional definida? 

Ela é competente na atividade?

Grau da Competência Caso a mulher seja competente, quão competentes elas são em sua atividade profissional (1 a 5 , sendo  1 – pouco competente e 5 – muito competente) 

Houve reconhecimento dessa competência?

Aprovado. 

Nota: 5

Rachel trabalha em um pet shop, mas quase não a vemos nesse contexto e não é possível avaliar sua competência. Kay, no entanto, é atriz e grande parte da construção da personagem gira em torno desse fato.

Desde o início do filme, sua competência é verbalizada. Os jornalistas a reconhecem no saguão do hotel, relembram seus filmes e elogiam as obras.  Além disso, na noite de estreia de sua nova peça de teatro, seu assessor diz que vê-la atuar é como ser “chupado por um aspirador de pó”. A despeito da qualidade do comentário, a frase é dita como elogio. 

Por fim, quando ela entra em cena pela primeira vez, após pausar a carreira por anos, a plateia estoura em aplausos como homenagem e ela sorri orgulhosa.

Cabe destacar que, após a estreia, ela conversa com críticos pelo telefone e, cenas depois, Marty a vê chorando. Não há explicação sobre o que aconteceu e pode-se interpretar que as críticas foram negativas. Mas trata-se apenas de conjecturas, enquanto os elogios foram diretamente expressados e verbalizados. Dessa forma, considera-se que a personagem tem sua competência reconhecida no filme.

Qualidade da representação – mulheres

Como é a representação das personagens mulheres (escala de -1 a 3)

Sendo -1, estereótipos ofensivos;  

0, não tem; 

1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos; 

2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos; 

3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos  estereótipos

Nota: 2

Rachel e a mãe de Marty são personagens secundárias e suas construções envolvem alguns estereótipos. A mãe é construída a partir de uma figura materna manipuladora. Rachel é desenvolvida como interesse amoroso dependente, sem linha narrativa própria e esperando, a todo momento, migalhas de amor e cuidado. 

Ela é apresentada como recurso narrativo para destacar a falta de moral do protagonista. A cada vez que é abandonada ou enganada, destaca-se o narcisismo e o egoísmo de Marty. E quando ela finge ter sido agredida pelo marido para que Marty tenha pena dela e a salve, constrói-se também a figura da mulher manipuladora.

Kay, apesar de seguir a trajetória estereotipada da mulher profissional pressionada a abandonar a carreira para tornar-se mãe e esposa, muda essa rota e retoma sua profissão. Ela é inteligente e percebe (ao menos em parte) os golpes de Marty. Kay, de certa forma, o usa também. Farta do marido, a personagem busca um rapaz jovem para satisfazê-la sexualmente e não parece esperar nada romântico ou idealizado da parte dele. 

Apesar disso, é uma personagem secundária e não se considera que seja excepcionalmente bem representada, mantendo a nota 2 no quesito de representação.

Raça

Arco dramático (Mako Mori)

Tem personagem não branco? 

Tem arco dramático próprio? 

O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de raça?

Reprovado.

Os personagens não brancos de maior destaque no filme são Koto Endo e Wally. Mas nenhum deles tem arco dramático próprio.

Qualidade da representação – raça

Como é a representação dos personagens não brancos (escala de -1 a 3)

Sendo -1, estereótipos ofensivos;  

0, não tem; 

1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos; 

2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos; 

3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos  estereótipos

Nota: 2

Koto Endo é japonês e surpreende Marty por jogar muito bem. Ele usa uma raquete diferente e se destaca no campeonato. Koto demonstra calma e cordialidade, a despeito dos ataques de raiva e grosseria do protagonista. 

Inclusive, ao final, ele dedica cortesia ao oponente, aceitando repetir a partida para que Marty tenha uma chance real de derrotá-lo (após uma primeira partida encenada e com placar final pré definido). Marty o respeita por isso e diz que vai torcer para que ele vença o campeonato, já que ele próprio foi impedido de competir. 

Koto Endo apresenta alguns estereótipos associados a personagens asiáticos, como por exemplo a serenidade e o controle emocional mesmo em situações que levam os outros ao limite. Além disso, apresenta cordialidade, passividade, honradez e a busca por evitar conflitos. Por fim, há a ideia do asiático como aluno ou competidor aplicado e disciplinado que sempre fica em primeiro lugar nas competições. Apesar de muitas dessas definições parecerem características positivas, podem prender os personagens em papeis sem profundidade, combinando competência e submissão apenas como recurso narrativo para ajudar a contar a história do protagonista branco.

Além de Koto, há um outro personagem não branco de destaque na obra. Wally é negro e é amigo de Marty, para quem o protagonista liga quando está sendo perseguido pela polícia. Ele é taxista e juntos dão golpes em jogos de pingue-pongue para ganhar dinheiro.

Os dois fingem que não se conhecem, encenam uma situação para jogarem um contra o outro (sem contar que Marty é jogador profissional) e incentivam que outras pessoas joguem apostando dinheiro. 

Wally faz o papel de simpático, enquanto Marty assume o papel de alguém babaca e racista que o ofende, o que provoca a raiva do público e os incentiva a participar das apostas.

Quando o grupo finalmente descobre o golpe, ataca a dupla. Os rapazes brancos que há pouco o apoiavam passam a ofender Wally, inclusive com xingamentos raciais. Isso evidencia que, na raiva e na busca por justiça com as próprias mãos, o racismo estrutural e velado muitas vezes se manifesta de forma explícita, revelando preconceitos que estavam reprimidos ou camuflados até então. Isso ilustra como o racismo pode se tornar visível em momentos de conflito.

Tanto Koto Endo quanto Wally são personagens secundários com alguns estereótipos. Existem também muitos personagens não brancos de apoio, com uma ou duas falas. Inclusive, como o último campeonato mostrado no filme se passa no Japão, existem muitos figurantes asiáticos, mas eles não são desenvolvidos na narrativa.

LGBTQIA+

Arco dramático (Mako Mori)

Tem personagem LGBTQIA+? 

Tem arco dramático próprio? 

O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de LGBTQIA+?

Reprovado. 

Não há representação LGBTQIA+ no filme.

Qualidade da representação – LGBTQIA+

Como é a representação das personagens LGBTQIA+ (escala de -1 a 3)

Sendo -1, estereótipos ofensivos;  

0, não tem; 

1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos; 

2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos; 

3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos  estereótipos

Nota: 0

Não há representação LGBTQIA+ no filme.

PcD 

Arco dramático (Mako Mori)

Tem personagem PcD?

Tem arco dramático próprio? 

O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de PcD?

Reprovado. 

Koto Endo é o único personagem PcD e não tem arco dramático próprio.

Qualidade da representação – PcD

Como é a representação das personagens PcD (escala de -1 a 3)

Sendo -1, estereótipos ofensivos;  

0, não tem; 

1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos; 

2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos; 

3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos  estereótipos

Nota: 2

Koto Endo é surdo e torna-se campeão mundial ao derrotar Marty Mauser. É o primeiro vencedor japonês no torneio em muito tempo e volta para o Japão aclamado como herói. 

Apesar de um dos principais estereótipos do audiovisual associados a pessoas com deficiência ser o do “herói inspirador”, isso não parece ser desenvolvido no filme Marty supreme.

Normalmente, esse estereótipo envolve retratar o personagem com deficiência como alguém que supera tudo apenas com força de vontade, em que a deficiência se torna uma ferramenta para inspirar personagens sem deficiência ou o próprio público. Nesse tipo de narrativa, a história costuma focar mais na superação individual do que nas barreiras sociais enfrentadas pela pessoa com deficiência.

No longa-metragem, Koto é admirado e tratado como herói pelo fato de levar o título para o Japão. Enquanto nos Estados Unidos, Marty Mauser lida com o desconhecimento e a falta de prestígio do pingue-pongue, Koto recebe carinho da população e apoio financeiro e institucional do governo japonês. Ele tem torcida organizada, lota os estádios e aparece em todos os jornais por ser o primeiro japonês, em muitos anos, a tornar-se campeão. Dessa forma, sua figura de herói parece estar associada principalmente ao orgulho nacional de um país que valoriza o esporte, e não ao fato de ele ser uma pessoa com deficiência.

Além disso, cabe destacar que o ator que o interpreta, Koto Kawaguchi, é um jogador de tênis de mesa surdo na vida real. Esse aspecto contribui para uma representação mais autêntica de pessoas com deficiência no audiovisual, uma vez que a participação de atores com deficiência em papéis que refletem suas experiências ainda é relativamente rara na indústria.

Embora Koto tenha sido considerado no Teste Arte Aberta como um personagem não branco que reproduz alguns estereótipos raciais, sua representação enquanto pessoa com deficiência pode ser vista de forma mais positiva, já que os estereótipos associados a cada grupo são distintos. Ainda assim, Koto Endo é um personagem secundário com pouco tempo de tela e construído sem muita profundidade. Um maior desenvolvimento de sua trajetória poderia enriquecer a narrativa e a representação do personagem no filme.

Resumo do Teste Arte Aberta

Representatividade

Representação

Estrelas Arte Aberta: 1,5

Por Luciana Rodrigues

É formada em Audiovisual e em Letras Português. Uma brasiliense meio cearense, taurina dos pés à cabeça, apaixonada pela UnB, por Jorge Amado e pelo universo infantil. Aprecia o cult e o clichê, gosta de Nelson Pereira dos Santos e também gosta de novela. E, apesar de muitos dizerem o contrário, acha que essa é uma ótima combinação.

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