Lady Bird: é hora de voar | #ElasNoOscar | Testes de representatividade

Continuamos com o nosso Especial do Oscar 2018 – #ElasNoOscar, analisando os filmes indicados à categoria de Melhor Filme na premiação deste ano. No primeiro post explicamos tudinho sobre os testes de representatividade analisados e detalhamos esta série especial. Confira!

O sétimo filme analisado foi Lady Bird: é hora de voar, indicado a cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Principal (Saoirse Ronan), Melhor Atriz Coadjuvante (Laurie Metcalf), Melhor Roteiro Original e Melhor Direção (ambas as indicações para Greta Gerwing).

Sinopse

A história acontece em 2002 e 2003 e tem como centro narrativo a adolescente de classe média Christine, que se auto intitula “Lady Bird”. Ela está no último ano do ensino médio da escola católica Xavier, na pequena cidade de Sacramento, Califórnia, e não consegue visualizar seu futuro ali.   

Sob a ótica das mulheres

O filme é dominado por mulheres. O mote principal da trama é a relação entre Lady Bird e sua mãe Marion. A jovem é enérgica e não se vê na pequena cidade. Tem sede de cultura, de movimento, está em plena descoberta de amizades e romances. Mas não se sente verdadeiramente amada pela mãe.

Marion trabalha em um hospital e trata a filha com bastante rigor. Em diversas situações subestima o potencial de Lady Bird e deixa isso bem claro para a menina. É uma mulher batalhadora, possui um difícil histórico familiar e está constantemente preocupada com o bem-estar da família, apesar da falta de tato com as palavras.

A relação de mãe e filha é pincelada entre momentos suaves e dramáticos de forma sutil e muito genuína.

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Na trama aparece também Julie, a melhor amiga, que se espelha na protagonista e a copia. Durante algum tempo, essa amizade é balançada pela proximidade de Lady Bird e Jenna Walton, uma colega popular, rica, muito bonita e segura de si, a quem Lady Bird tenta desesperadamente agradar. Além delas, o filme conta com a irmã Sarah Joan, freira do colégio em que as jovens estudam e que demonstra ter mais senso de humor e uma percepção mais apurada do que se percebe inicialmente, e Shelly, cunhada da protagonista, que vive com a família do namorado desde que foi abandonada pela sua própria. A menina adota um estilo estético diferente do que é conhecido na pequena cidade de Sacramento, possuindo muitos piercings e sempre usando roupas pretas.

Além de apresentar diversas mulheres fortes, cada uma de sua maneira, o filme consegue abordar temas como religião, adolescência, drogas, aceitação, amizade, diferenças sociais, depressão, novos núcleos familiares, descoberta sexual e homossexualidade com muita fluidez e delicadeza.

lady bird e julie
Lady Bird e Julie

Ficha Técnica

A ficha técnica apresenta 61,54% de representatividade feminina. Diversas funções são exercidas unicamente por mulheres, como Direção, Roteiro, Produção Executiva, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Mixagem de Som.

Elenco Principal

Nos créditos iniciais do filme são apresentados quinze nomes, oito deles de atrizes. Sendo assim, o elenco conta com 53,33% de representatividade feminina.

Bechdel-Wallace

Aprovado.

O filme passa no teste Bechdel com folga. Possui diversos diálogos entre as personagens femininas que não tratam sobre o sexo masculino.

Mako-Mori

Aprovado.

Lady Bird tem seu próprio arco narrativo. Apesar de ter breves passagens de seus romances e participação significativa do pai em sua conquista, a história é sobre ela.

Tauriel

Aprovado.

Tanto Lady Bird alcança por méritos próprios o seu objetivo, quanto Marion desenvolve com competência a sua profissão.

Barnett

Aprovado.

Há diversos diálogos femininos sobre variados assuntos, mas possui poucos diálogos entre os personagens masculinos. Menos ainda sobre temas que não envolvam as mulheres. Mas o longa-metragem passa no teste quando Miguel (irmão de Lady Bird) e Larry McPherson (pai dos dois) conversam sobre a vaga de emprego em que ambos concorriam. Não há violência atrelada ao sexo masculino. Dessa forma, o filme passa no teste.

lady bird 1

Aspectos da análise

1) Sinopse geral do filme de acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers; 2) A ótica das mulheres; 3) Representatividade feminina na ficha técnica (Direção, Roteiro, Produção, Produção Executiva, Direção de Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Trilha Sonora, Edição de som, Mixagem de Som, Edição, Efeitos Especiais e Maquiagem); 4) Representatividade feminina no elenco principal; e 5) Análise dos Testes de Representatividade.

Testes de representatividade

Teste Bechdel-Wallace: As mulheres têm nome? Se falam? É sobre homem?

Teste Mako Mori: Tem mulher? Tem arco dramático? É apoiado no arco do homem?

Teste Tauriel: Tem mulher? Ela só está na trama para ser par romântico/possui competência em algo?

Teste Barnett: Tanto homens quanto mulheres falam entre si só sobre o sexo oposto? Os personagens masculinos têm comportamento atrelado à violência que trate como humor/falta de seriedade/normal/aceitável/como se alguém merecesse a violência?

Leia mais sobre a série #ElasNoOscar:

The Post: a guerra secreta

Trama fantasma

O destino de uma nação

Me chame pelo seu nome

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Corra!

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