Quem são as mulheres indicadas no Oscar 2019?

A 91ª edição do Oscar acontecerá no dia 24 de fevereiro e a maratona para assistir aos indicados já começou. Geralmente há grande interesse pelos longas que concorrem à categoria de Melhor Filme, mas a cerimônia conta, no total, com 22 premiações.

Com exceção dos prêmios destinados a ator, ator coadjuvante, atriz e atriz coadjuvante, existem 18 categorias celebradas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Era de se esperar que, com tantas opções e em um mundo tão diverso, as indicações fossem bem distribuídas. Não é novidade para ninguém, no entanto, que isso não acontece. Vemos com frequência os mesmos rostos dentre os indicados e já sabemos quem esperar a cada cerimônia.

Em 91 anos de Oscar, apenas cinco mulheres foram indicadas ao prêmio de Melhor Direção e só uma venceu (Kathryn Bigelow, em 2010, pelo filme Guerra ao terror). Apenas 13 mulheres dirigiram longas que concorreram na categoria principal – Melhor Filme. Somente oito mulheres receberam a estatueta de Roteiro Original, outras oito receberam o de Roteiro Adaptado e uma única mulher negra venceu em uma categoria que não fosse de atriz ou atriz coadjuvante (Irene Cara, que em 1984 ganhou o prêmio de Canção Original). São vitórias muito escassas e espaçadas.

Em 2019, as chances de avançar nesse sentido são reduzidas, pois nenhuma diretora foi representada na categoria de Direção nem na de Melhor Filme. Também não houve indicação feminina nas áreas de Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original e Efeitos Visuais.

Ainda assim, temos dezenas de mulheres indicadas, espalhadas entre as diversas categorias, com possibilidade de subir ao palco para receber uma estatueta. Que tal conhecer seus trabalhos e estender a maratona do Oscar para as outras categorias?

Segue abaixo a lista com todas as mulheres indicadas em 2019 e alguns marcos e curiosidades que podem tornar sua maratona mais interessante:

Melhor filme (5)

A favorita – Ceci Dempsey (produtora), Lee Magiday (produtora)

Roma – Gabriela Rodríguez (produtora)

Nasce uma estrela – Lynette Howell Taylor (produtora)

Vice – Dede Gardner (produtora)

Destaque: Apesar de não ter nenhum filme de diretora concorrendo na categoria principal da premiação, existem algumas possibilidades de mulheres receberem o troféu de Melhor Filme. Isso porque nessa categoria, além do diretor, os produtores também são premiados. Sendo assim, cinco produtoras têm a chance de receberem o prêmio em 2019.

A única da lista a já ter recebido indicações é Dede Gardner, que acumula seis indicações e duas vitórias (12 anos de escravidão e Moonlight), sendo a primeira mulher a receber esse prêmio duas vezes.

Dede Gardner na vitória do filme 12 anos de escravidão

Com o filme Roma, Gabriela Rodríguez torna-se a primeira mulher latina a ser indicada na categoria e representa toda a América Latina junto com o colega Alfonso Cuarón.

Atriz principal (5)

Roma – Yalitza Aparicio

A esposa – Glenn Close

A favorita –  Olivia Colman

Nasce uma estrela – Lady Gaga

Poderia me perdoar? – Melissa McCarthy

Destaque: Yalitza Aparicio é a primeira mulher indígena e a segunda mexicana a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz. Antes dela, Salma Hayek foi indicada em 2003 por seu papel em (e como) Frida.

Yalitza Aparicio em Roma

Fernanda Montenegro e a colombiana Catalina Sandino Moreno foram as outras únicas atrizes latinas a serem indicadas na categoria de Melhor Atriz. Fernanda Montenegro relatou que, após sua indicação, recebeu convites para atuar em Hollywood: “papéis de chilena, de salvadorenha, de hispânica, o lugar no qual cabe uma latino-americana em um filme americano”.

Se Yalitza Aparicio ganhar, será a primeira atriz latina a receber o prêmio na história do Oscar.

Glenn Close e Melissa McCarthy são as únicas que já possuem indicações no currículo. Enquanto a primeira acumula sete indicações (e nenhuma vitória até agora), McCarthy foi indicada anteriormente por Missão madrinha de casamento.

Curiosidade: Se tanto Glenn Close (A esposa) quanto Regina King (Se a rua Beale falasse) vencerem, será a primeira vez em 13 anos que nenhuma das atrizes premiadas é de um dos indicados a Melhor Filme.

Atriz coadjuvante (5)

Se a rua Beale falasse – Regina King

Vice – Amy Adams

Roma – Marina de Tavira

A favorita – Emma Stone

A favorita – Rachel Weisz

regina-king
Regina King em Se a rua Beale falasse

Destaque: Com exceção de Marina de Tavira e Regina King, que são indicadas pela primeira vez, todas as outras atrizes são figurinhas carimbadas do Oscar. Emma Stone venceu por La la land e Rachel Weisz pelo Jardineiro Fiel. Apesar de ainda não ter vencido, Amy Adams possui seis indicações até agora.

Marina de Tavira é a sétima latina a concorrer nessa categoria, sendo a quarta mexicana (as outras foram Katy Jurado, Adriana Barraza e Lupita Nyong’o – esta última tendo nacionalidade mexicana e queniana).

Além de Lupita, a única mulher latina a receber o prêmio é a porto-riquenha Rita Moreno (em 1962, por seu trabalho em West Side Story). Ela conta que acreditou que após a vitória conseguiria papéis menos estereotipados, mas se enganou. “Antes de West Side Story, sempre me ofereciam papéis caricatos de latinas. Era humilhante e vergonhoso, mas eu fazia porque não existiam outras opções. Depois do Oscar, foi basicamente a mesma coisa”.

Animação (1)

Os incríveis 2 – Nicole Paradis Grindle (produtora)

Destaque: Nicole Paradis Grindle já havia sido indicada em 2016 na categoria Curta-Metragem de Animação com outro filme de super-heróis: Os heróis de Sanjay. O curta da Pixar foi baseado na infância do diretor Sanjay Patel e mostra um garoto que está frustrado por ter que interromper seu desenho favorito para acompanhar o pai na oração diária. Dando lugar à imaginação, o pequeno Sanjay vê a batalha entre um terrível monstro e três deuses hindus que se transformam em super-heróis. Além do Oscar, o filme foi exibido em Annecy e indicado no Annie Awards.

sanjay

Direção de fotografia (0)

Destaque: Em 2018, Rachel Morrison tornou-se a primeira – e única – mulher a ser indicada na categoria de fotografia pelo trabalho em Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi. Em 2019, voltamos a não ter nenhuma mulher representada nesta área.

Figurino (5)

A balada de Buster Scruggs – Mary Zophres

A favorita – Sandy Powell

O retorno de Mary Poppins – Sandy Powell
Duas rainhas – Alexandra Byrne

Pantera Negra – Ruth E. Carter

Destaque: Todas as indicadas deste ano já concorreram ao Oscar anteriormente. Mary Zophres foi indicada outras duas vezes (True Grit e La La Land) e Alexandra Byrne coleciona cinco indicações, tendo vencido por Elizabeth: The Golden Age, em 2007.

Ruth E. Carter, de Pantera Negra, concorre pela terceira vez (já tendo sido indicada pelo trabalho em Malcolm X e Amistad). Se ganhar, será a primeira mulher negra a levar a estatueta de figurino.

Em 2019, Sandy Powell tem duas chances de se tornar a terceira figurinista viva a ganhar quatro Oscars, se igualando a Milena Canonero e Collen Atwood. Suas estatuetas anteriores foram por Shakespeare Apaixonado (1998), O Aviador (2004) e A Jovem Victoria (2009). A recordista do Oscar atualmente é a figurinista Edith Head, que teve 35 indicações e oito vitórias, tendo sido a inspiração para a personagem Edna Moda dos filmes Os Incríveis.

Edith Head

Direção (0)

Destaque: A única mulher a ter recebido esse prêmio até hoje é Kathryn Bigelow, por Guerra ao terror (2010).

Documentário (8)

Free Solo –  Elizabeth Chai Vasarhelyi (diretora) e Shannon Dill (produtora)

RBG – Betsy West (diretora), Julie Cohen (diretora)

Hale county – Joslyn Barnes (produtora), Su Kim (produtora)

Minding the gap – Diane Moy Quon (produtora)

Of fathers and sons – Eva Kemme (produtora)

Destaque: Todos os filmes indicados na categoria de documentário contam com mulheres na direção e/ou na produção, o que significa que é garantido que uma mulher suba ao palco para receber o prêmio.

O documentário RBG, das diretoras Betsy West e Julie Cohen, conta a trajetória de Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte e segunda juíza mulher dos EUA. Atualmente com 84 anos, ela ficou conhecida por lutar pelo fim da discriminação de gênero e é tratada quase como uma super-heroína no país. Extremamente popular, seu rosto estampa canecas, camisetas e memes, tendo ficado conhecida como Notorious R.B.G, em referência ao rapper Notorious B.I.G.

Documentário curta-metragem (2)

Period. End Of Sentence – Rayka Zehtabchi (diretora), Melissa Berton (produtora)

Destaque: O filme indiano destaca os tabus que envolvem a menstruação a partir de um grupo de mulheres que, em uma área rural no interior do país, luta para ter acesso a absorventes. Para além de questões higiênicas e de saúde básicas, o caso afeta dados de evasão escolar, gera emprego e bases para empoderamento feminino.

period.endofsentence

Montagem (0)

Destaque: Esse prêmio existe desde 1934 e já na sua primeira edição teve uma mulher indicada: Anne Bauchens, que concorreu pelo filme Cleópatra (perdeu para Conrad A. Nervig, de Eskimo, mas venceu em 1941 com Legião de heróis).

Quatro montadores estão empatados com o histórico de três estatuetas. Um dos recordistas é Thelma Schoonmaker, montadora de Touro indomável (1980), O aviador (2004) e Os infiltrados (2006).

Thelma Schoonmaker

Filme de Língua Estrangeira (1)

Cafarnaum – Nadine Labaki

Destaque: Nadine Labaki é a primeira mulher de um país árabe a concorrer ao Oscar. A diretora libanesa conta nesse filme a história de Zain, uma criança síria refugiada que vive nas ruas de Beirute e processa seus pais para impedi-los de continuar a ter filhos sem ter condições para criá-los. O filme reflete sobre a falta de assistência a milhares de crianças abandonadas pelos pais e pelo sistema. A diretora agora conduz um documentário sobre as vidas dos atores, que viveram situações similares as dos personagens.

nadinenoset

Apenas três mulheres receberam o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro até agora: a holandesa Marleen Gorris, em 1996, com A Excêntrica Família de Antônia; a alemã Caroline Link, em 2003, com Nenhum lugar da África; e a dinamarquesa Susanne Bier, em 2011, com o filme Hævnen.

Maquiagem e penteado (5)

Border – Pamela Goldammer

Duas rainhas – Jenny Shircore, Jessica Brooks

Vice – Kate Biscoe, Patricia DeHaney

Destaque: Jenny Shircore venceu o prêmio de maquiagem em 1998 com o filme Elizabeth. Onze anos depois, ela concorre pela maquiagem e penteado da mesma rainha, agora no filme Mary Queen of Scots (Duas rainhas).

 

Trilha Sonora original (0)

Canção original (4)

All the stars – SZA

Shallow – Lady Gaga

I will fight – Diane Warren

When a cowboy trades his spurs for wings – Gillian Welch

Destaque: Dorothy Fields foi, em 1934, a primeira mulher indicada nesta categoria (e venceu). Ela foi premiada pela canção The Way You Look Tonight, do filme Ritmo louco. E como dito anteriormente, em 1984, Irene Cara tornou-se a primeira (e única) mulher negra a vencer em uma categoria que não seja de atuação. Ela foi vitoriosa com a canção What a feeling, do filme Flashdance.

Dorothy Fields

Em 2019, Lady Gaga torna-se a primeira mulher a acumular indicações de Melhor Atriz e Melhor Canção Original por um mesmo filme. No ano passado, Mary J. Blige alcançou o mesmo êxito, mas com as indicações de Canção Original e Melhor Atriz Coadjuvante.

Design de produção (Direção de arte) (5)

Pantera Negra – Hannah Beachler

A favorita – Fiona Crombie, Alice Felton

O primeiro homem – Kathy Lucas

Roma – Bárbara Enríquez 

Destaque: Hannah Beachler é a primeira mulher negra a concorrer nessa categoria em quase um século de Oscar. Ela venceu, com o trabalho de Pantera Negra, o Critic’s Choice Awards de 2019. Estamos na torcida para que esse seja um indício da vitória no dia 24 de fevereiro.

Curta de animação (5)

Animal behavior – Alison Snowden (diretora)

Bao – Domee Shi (diretora) e Becky Neiman-Cobb (produtora)

Late afternoon – Louise Bagnall (diretora), Nuria González Blanco (produtora)

Destaque: A única indicada a já ter participado do Oscar é Alison Snowden, que recebeu o prêmio em 1995 com o curta Bob’s Birthday. O filme atual foi realizado em parceria com David Fine, que a acompanhou também na vitória de 1995. Animal behavior retrata um grupo de terapia de animais orientado pelo Dr. Clement, um psicoterapeuta canino.

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Bao, da diretora Domee Shi, pôde ser assistido no Brasil logo antes das sessões de Os incríveis 2. Através de metáforas, o curta narra a relação entre mãe e filho, em uma dinâmica de superproteção, dependência e projeção de felicidade.

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Late Afternoon acompanha uma senhora idosa perdida em lembranças do passado, alternando entre suas memórias e o presente.

Curta-metragem (5)

MargueriteMarianne Farley (diretora), Marie-Hélène Panisset (produtora)

Skin – Jaime Ray Newman (produtora)

Fauve – Maria Gracia Turgeon (produtora)

Mother – María del Puy Alvarado (produtora)

Destaque: Fauve e Marguerite são ambos canadenses, sendo este segundo o único indicado dirigido por uma mulher. Assim como Late afternoon (indicado na categoria Curta de Animação), Marguerite se debruça sobre o processo de uma mulher idosa que encara seu passado e sua trajetória, lidando com tabus a partir da amizade com uma cuidadora.

Edição de som (3)

Bohemian Rhapsody – Nina Hartstone

O primeiro homem – Ai-Ling Lee, Mildred Latrou Morgan

Destaque: Ai-Ling Lee tem duas chances de ser premiada este ano. Ela concorre no combo Edição de Som e Mixagem de Som, da mesma forma que concorreu em 2016 por La la land.

Mixagem de som (2)

O primeiro homem – Ai-Ling Lee, Mary H. Ellis

Efeitos visuais (0)

Destaque: A primeira mulher a receber o Oscar de Efeitos visuais foi Suzanne Benson, em 1987, com o filme Aliens. Além dela, apenas Sara Bennet ficou com este prêmio, tendo vencido em 2016 por Ex Machina.

Roteiro Adaptado (1)

Poderia me perdoar? – Nicole Holofcener

Destaque: Frances Marion foi a primeira roteirista a ser premiada nesta categoria (1930, The big house) e foi também a primeira pessoa a ganhar dois prêmios da Academia (o seguinte foi em 1932 com o filme The champ, na categoria de Melhor história original, que existiu até 1956).

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Em 1934, Sarah Y. Mason levou o prêmio pelo roteiro de As mulherzinhas. Atualmente está sendo produzido um remake do filme dirigido por Greta Gerwig, com Emma Watson, Saoirse Ronan, Meryl Streep e Laura Dern.

Além destas duas, outras seis roteiristas receberam o prêmio de roteiro adaptado: Claudine West por Mrs. Miniver, em 1943, ano em que concorria com dois filmes; Ruth Prawer Jhabvala por Uma janela para o amor (1987) e por Retorno a Howard’s End (1993); Emma Thompson por Razão e sensibilidade (1996); a dupla Philippa Boyens e Fran Walsh com O Senhor dos anéis: o retorno do rei (2004); e a mais “recente”, Diana Ossana por O segredo de Brokeback Mountain (2006).

Este ano, Nicole Holofcener concorre pelo roteiro de Poderia me perdoar?, único filme dentre os indicados que foi dirigido por uma mulher, Marielle Heller.

Roteiro Original (1)

A favorita – Deborah Davis

Destaque: Como dito no início do texto, oito mulheres foram premiadas por roteiros originais (exatamente a mesma quantidade de vencedoras com roteiros adaptados). Quer saber quem são elas?

Muriel Box – O sétimo véu (1947); Sonya Levien – Melodia interrompida (1956); Nancy Dowd – Amargo regresso (1979); Pamela Wallace – A testemunha (1986); Callie Khouri – Thelma & Louise (1992); Jane Campion – O piano (1994); Sofia Coppola – Encontros e desencontros (2004); e Diablo Cody – Juno (2008). As quatro últimas venceram como roteiristas-solo.

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