O filme Frankenstein, do diretor Guillermo del Toro, foi indicado em nove categorias no Oscar 2026: Filme; Roteiro Adaptado; Ator Coadjuvante (Jacob Elordi); Trilha Sonora; Som; Fotografia; Cabelo e Maquiagem; Figurino; e Design de Produção.
Baseando-se na história clássica e inovadora escrita por Mary Shelley e publicada em 1818, Frankenstein é um prato cheio para Guillermo del Toro e suas criações fantásticas.
A seguir, analisamos o filme Frankenstein com o nosso Teste Arte Aberta. Para saber mais sobre o teste, confira o texto introdutório.

Sinopse
De acordo com a percepção do Arte Aberta evitando spoilers
Victor Frankenstein (Oscar Isaac) é um cirurgião talentoso e busca enfrentar a inexorabilidade da morte. Para tanto, passa anos se dedicando a construir uma máquina capaz de dar vida a um corpo morto. Quando alcança o sucesso de suas experiências, Victor precisa lidar com suas ambições, controle, loucura e as demandas da criatura a quem deu a vida.

Ótica de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD
A única mulher com destaque na narrativa é Elizabeth, interpretada por Mia Goth. Os demais personagens são homens e brancos. Oscar Isaac, que interpreta Victor Frankenstein, é da Guatemala e, como homem latino, fortalece a presença de atores latinos em papéis robustos e diferentes. Entretanto, Oscar Isaac é um homem branco.
Não há, portanto, diversidade de gênero, raça e LGBTQIA+. Há um personagem com deficiência, mas ele não possui nome, apenas indicado como “homem cego”. Seu papel na narrativa é acolher A Criatura e ensiná-la a ler, além de ser um dos únicos que demonstra afeição e amor pela Criatura.
Elizabeth poderia ser muito mais do que del Toro constrói. É uma mulher inteligente e possui profundo interesse por ciência, especificamente por insetos. Não se cala e faz questão de se posicionar, porém é apagada pelo possível amor que nutre pela Criatura. Isso faz com que surjam dúvidas quanto à verdadeira construção de Elizabeth: ela gostava de insetos apenas para ter um paralelo com o amor pela Criatura? Ela foi criada com um pretexto de amor impossível entre ela e a Criatura?
A morte de Elizabeth indica um fim trágico, assim como ela queria. Mas ter morrido para proteger A Criatura e depois confidenciar sentimentos a ela enquanto está à beira da morte marca um arco dramático de apoio à solidão eterna da Criatura.

Representatividade de gênero, raça e LGBTQIA+/PcD
Direção e Roteiro*
* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero
A direção e o roteiro são de Guillermo del Toro. Guillermo é mexicano, portanto, latino e é um homem cis branco. Não há nenhuma informação pública e oficial sobre a sexualidade do diretor e ele não possui deficiência.
Dessa forma, a ficha técnica principal (direção e roteiro) é composta 0% por pessoas não brancas, 0% por mulheres, 0% PcD e 0% LGBTQIA+.

Elenco principal*
Créditos iniciais/finais
* Classificação é feita de acordo com a declaração pública e disponível das pessoas LGBTQIA+/PcD e heteroidentificação de raça e gênero
Nos créditos finais temos nove nomes: Oscar Isaac (Victor Frankenstein), Jacob Elordi (A Criatura), Mia Goth (Elizabeth), Felix Kammerer (William Frankenstein), David Bradley (homem cego), Lars Mikkelsen (Capitão Anderson), Christian Convery (Victor Frankenstein quando criança), Charles Dance (Leopold Frankenstein) e Christoph Waltz (Harlander).
Assim, temos apenas Mia Goth como mulher no elenco principal. Não encontramos nenhuma fala pública ou oficial sobre o elenco ser LGBTQIA+ e PcD.
Dessa forma, o elenco é composto por 11,11% de mulheres, 0% de não brancos, 0% LGBTQIA+ e 0% de PcD.

Representação
Mulheres
Presença (Bechdel-Wallace)
As mulheres têm nome?
Se falam por mais de 60 segundos?
Sobre outro assunto que não seja homens?
Reprovado.
Elizabeth é a única mulher no elenco e na trama com algum destaque. Ela não conversa com nenhuma outra mulher, apenas com homens.

Arco Dramático (Mako-Mori)
Tem mulher?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de gênero?
Reprovado.
Elizabeth tem um potencial interessante de ser algo além de uma personagem que não faz “coisas de mulher”, uma vez que o contexto histórico do filme pressupõe o lugar de mulheres limitado ao privado e à casa. O fato de ela morrer protegendo A Criatura e de o amor que nutria por ela levá-la ao trágico fim desconsidera a poderosa construção de Elizabeth como uma mulher que se posiciona e se interessa por ciência.

Competência (Tauriel)
Houve mulher(es) com atividade profissional definida?
Ela é competente na atividade?
Grau da Competência Caso a mulher seja competente, quão competentes elas são em sua atividade profissional (1 a 5 , sendo 1 – pouco competente e 5 – muito competente)
Houve reconhecimento dessa competência?
Reprovado.
Nota: 2
A nota 2 se deu por conta de algumas cenas nas quais é possível compreender o interesse e a busca de Elizabeth pela insetologia. Ela compra livros de insetologia, desenha e manipula insetos. Não há uma atividade profissional vinculada a Elizabeth, mas é possível identificar pontos de construção que demonstram esforço e interesse por algum ofício – no caso, entomologista.

Qualidade da representação – mulheres
Como é a representação das personagens mulheres (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 1
É frustrante acompanhar o arco dramático de uma personagem tão interessante como Elizabeth que culmina na morte trágica por um amor impossível. Reduz a construção de Elizabeth como uma garota interessante pela sua estranheza, marcando-a como fonte de interesses amorosos – William, Victor e A Criatura; sendo inclusive moeda de troca pelo tio (Harlander) para que Victor se empenhasse no sucesso de dar vida a um corpo morto.

Raça
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem não branco?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de raça?
Reprovado.
Não há personagem não branco no filme.
Qualidade da representação – raça
Como é a representação dos personagens não brancos (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 0
Não há personagem não branco no filme.
LGBTQIA+
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem LGBTQIA+?
Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de LGBTQIA+?
Reprovado.
Não há personagem LGBTQIA+ no filme.
Qualidade da representação – LGBTQIA+
Como é a representação das personagens LGBTQIA+ (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 0
Não há personagem LGBTQIA+ no filme.
PcD
Arco dramático (Mako Mori)
Tem personagem PcD? Tem arco dramático próprio?
O arco dramático é apoiado essencialmente em estereótipos de PcD?
Reprovado.
Há um único personagem PcD que é o Homem Cego, interpretado por David Bradley – que não é cego como o personagem. Ele não possui nome e nem arco dramático próprio, sendo construído como uma fonte de sabedoria para A Criatura.
Qualidade da representação – PcD
Como é a representação das personagens PcD (escala de -1 a 3)
Sendo -1, estereótipos ofensivos;
0, não tem;
1, personagem de apoio ou secundários/principais com muitos estereótipos;
2, personagens secundários/principais com poucos estereótipos;
3, personagem principal/secundário muito bem representada, ou personagem principal sem ou com pouquíssimos estereótipos
Nota: 1
O personagem do Homem Cego não tem nome e, como é cego, não vê a criatura. Isso fortalece um estereótipo de que uma pessoa cega, por não ver, não possui preconceitos e é uma fonte de sabedoria, por “enxergar” o mundo de outra forma. Esse personagem acolhe A Criatura e a ensina a ler. É morta por lobos, marcando, ainda mais, a vida da Criatura como solitária e trágica.
Resumo do Teste Arte Aberta

Representatividade


Representação



Estrelas Arte Aberta: 0,5

