Estamos todos aqui | Crítica

A pobreza e a resistência no território – o curta-metragem Estamos todos aqui

Com estreia nacional no dia 16 de setembro de 2017, no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o curta-metragem Estamos todos aqui, dirigido por Rafael Mellim e Chico Santos, causa desconforto.

Aquele tipo de desconforto que você olha para o lado para ver se as pessoas que compartilham com você essa experiência estão sentindo a mesma emoção que você.

O curta, que tem como protagonista a personagem Rosa, interpretada por Rosa Luz, documenta a pobreza e cria essa personagem por meio de depoimentos de mulheres que moram na Favela da Prainha, em São Paulo. O processo de construção da personagem e a atuação de Rosa Luz acontecem ao mesmo tempo, como uma espécie de composição coletiva com quem está assistindo ao filme.

Rosa foi expulsa de casa pelo pai e busca moradia. Começa, então, a construir um barraco no mangue da Favela e canta Anarcofunk Bicha Pobre. Reafirma que seu nome é Rosa, não é Lucas, é Rosa.

O curta fala de pobreza e fala de resistência naquele espaço. Entoa o direito à moradia digna. Ressoa a importância dessas mulheres criarem lideranças e redes de colaboração.

No fim, a pergunta, feita por uma das entrevistadas, ecoa: “Com quantos pobres se faz um rico?”.

Estamos​ ​todos​ ​aqui​

Direção: Rafael Mellim e Chico Santos

Ficção, 21 min, 2017, SP, 14 anos

Elenco: Rosa Luz, Ana Souto, Miriam Galdino, Chico Santos, Rene Campos, Patrick de Aguiar, Chrisley de Aguiar, Christian Carlos de Aguiar, Christopher de Aguiar

Sinopse: Rosa nunca foi Lucas. Expulsa de casa, ela precisa de um lar. Enquanto busca um lugar no mangue para construir seu barraco, o projeto de expansão da zona portuária avança em direção aos moradores da Favela da Prainha. O filme foi desenvolvido a partir de escrita colaborativa com moradoras da Favela da Prainha, às margens de gigantescas transações do Porto de Santos.

Rafael Mellim e Chico Santos criaram, em 2011, o Coletivo Bodoque, a partir do qual procuram documentar memórias e experiências atuais de conflitos e rupturas com a ordem hegemônica e suas consequências. Realizaram documentários em curta-metragem e vídeos ao lado de ativistas e militantes da luta no campo e na cidade. Entre mostras e festivais, um dos trabalhos foi finalista no Political Activism Short Film Festival, em Atenas (Grécia).

Roteiro: Chico Santos e Rafael Mellim

Direção de fotografia: Vinícius Andrade

Direção de arte: Thiago Cervan

Som direto: Julio Galassi

Trilha sonora: Martin Eikemeier

Montagem: Rafael Mellim, Chico Santo e Coletivo Bodoque

Produção executiva: Alexandre Mroz Tastardi

Produção: André Gevaerd e Francisco Garcia

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